Conselho de Ética deve votar hoje cassação de Demóstenes

Senador é alvo de processo por quebra de decoro parlamentar por conta de seu envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira

iG São Paulo | - Atualizada às

O Conselho de Ética do Senado avalia nesta segunda-feira se houve quebra de decoro parlamentar por parte do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), suspeito de envolvimento com Carlinhos Cachoeira.

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AE
Demóstenes Torres negou que tenha cometido irregularidades



Segundo o presidente do conselho, Antônio Valadares, o relator da proposta, senador Humberto Costa (PT-PE), deve ler seu parecer, que será colocado em votação. No início da noite de sexta-feira, Demóstenes protocolou no Conselho suas alegações finais de defesa.

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O relator pode recomendar o arquivamento do processo contra Demóstenes ou considerar que há indícios de quebra de decoro. Nesse caso, se for aprovado, o parecer é encaminhado ao plenário do Senado, que decidirá o futuro do senador em votação secreta.

Segundo levantamento feito pelo iG, 41 dos 61 senadores ouvidos haviam decidido que votariam pela cassação do colega.

É provável que Costa proponha a cassação. Demóstenes é acusado de ter usado seu mandato e sua influência para agir em favor de Cachoeira, que está preso desde fevereiro, por chefiar uma rede de jogos ilegais. Seu envolvimento com políticos e empresários motivou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista no Congresso.

O parecer pretenderá mostrar que o senador recebeu vantagens indevidas, entre as quais valores financeiros, uma cozinha importada e um telefone habilitado no exterior para conversar com integrantes do grupo sem risco de interceptação policial, além de ter mentido ao Congresso no depoimento que tentou explicar suas relações com o esquema.

"Vou me ater a fatos que ele admitiu e construir o meu parecer em cima de dados concretos", disse Costa à reportagem. Ele não quis antecipar o voto, para não ser acusado de prejulgamento.

A defesa de Demóstenes ainda entrou com um segundo mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a suspensão do processo disciplinar na Casa. A alegação é de irregularidade pela não observância de prazo previsto para defesa no Conselho de Ética.

O pedido foi encaminhado para análise da ministra Cármem Lúcia que já havia negado um primeiro pedido semelhante , no qual o advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, argumentava cerceamento de defesa em razão do indeferimento do pedido de realização de perícia nos áudios de conversas telefônicas registradas pela Polícia Federal que envolviam o senador.

Em depoimento ao conselho, no fim de maio, Demóstenes se disse vítima de uma "conspiração" e negou envolvimento com jogos ilícitos, mas admitiu amizade com Cachoeira.

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