Vice na chapa de Lacerda em BH, petista defende Pimentel no governo em 2014

Em entrevista ao iG, deputado federal Miguel Corrêa Jr. fala sobre a construção de sua candidatura com PSB que conta com o apoio do PSDB

Denise Motta - iG Minas Gerais |

“Não é uma avaliação apenas minha, mas de muitos companheiros. O PT tem que ter candidato ao governo em 2014 e o nome é do Fernando Pimentel (ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio)”.

Com essa análise, o deputado federal Miguel Corrêa Júnior sinaliza que já trabalha para que o PT assuma o Poder Executivo em Minas Gerais. Ele foi escolhido candidato a vice-prefeito em disputa de Marcio Lacerda pela reeleição. A chapa tem apoio dos tucanos em uma aliança pouco usual nas grandes cidades brasileiras, onde PT e PSDB geralmente se enfrentam.

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PT-MG/Divulgação
Fernando Pimentel (esquerda) e Miguel Corrêa (direita) são aliados há mais de 10 anos


Desde 2002, quando o senador Aécio Neves venceu a eleição para o Palácio da Liberdade, o PSDB vem colecionando vitórias em Minas. A situação dos tucanos no Estado só não é mais confortável que em São Paulo, onde José Serra e Geraldo Alckmin , lideranças do PSDB, se revezaram no Executivo desde o fim do mandato de Mário Covas (PSDB), de 1995 a 1999.

A defesa aberta de Corrêa ao nome de Pimentel para 2014 coloca em segundo plano o nome do prefeito da capital, Marcio Lacerda (PSB), tido como liderança natural para disputar o governo. Mas o defensor de "Pimentel governador" tem justificativa: “o próprio Marcio diz que não será candidato contra Fernando Pimentel”.

Ao iG , além de comentar sobre sua estreita relação com Pimentel, o futuro candidato a vice-prefeito deixou aberta a possibilidade de disputar a prefeitura em 2016.

"Tenho um carinho grande pela cidade e quero contribuir como vice-prefeito. Este é o meu objetivo. Depois, tem a ver com uma legitimidade a ser alcançada. Após os próximos quatro anos, poderemos discutir outros projetos."

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Ainda jovem, com 32 anos, Corrêa mantém conversas quase diárias com o ministro Pimentel e procura manter aberto diálogo com lideranças de oposição ao seu partido. “Conversei com Aécio e ele falou que aprova meu nome”, conta sobre a repercussão de sua escolha como candidato a vice.

Sobre a construção da sua candidatura, ele afirmou que, no início, apostava na manutenção de Roberto Carvalho como vice-prefeito. "Como não foi possível, avaliei a hipótese e perguntei ao Fernando Pimentel, em janeiro deste ano, se era razoável. Ele me disse que era. Depois, procurei o prefeito Marcio Lacerda e disse a ele que pensava em apresentar meu nome. Perguntei se havia alguma contradição e ele me disse não. E que ficaria contente comigo na chapa. A partir daí, entrei no jogo."

De janeiro, quando o parlamentar pediu a benção de Pimentel, até o último dia 10, quando o nome dele finalmente foi escolhido, especulações tomaram conta do processo de definição do vice na chapa majoritária encabeçada por Lacerda. A escolha foi adiada por pelo menos quatro vezes.

Finalmente, no dia da decisão, a votação demorou oito horas. O nome do ex-ministro Patrus Ananias surgiu como uma hipótese. De três nomes inscritos para ser candidato a vice, dois alegaram que abririam mão em nome de Patrus. Corrêa negou e venceu a disputa no segundo turno, com 226 votos contra 179 de Luiz Gustavo Fortini (ex-presidente da Fundação de Parques e Jardins). No primeiro turno, obteve 228 votos contra 119 de Fortini e 110 de Murilo Valadares (ex-secretário municipal de Obras).

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“Eu construí minha candidatura com grupos, não era uma candidatura só minha. A decisão era dos delegados. Tenho todo carinho pela história do Patrus, uma relação amigável, mas, naquele momento, acreditava que disputar era legítimo. Tive convicções políticas de que recuar ali era não ter firmeza. Firmeza exigida no exercício da vida pública”, explica, minimizando a divisão entre os grupos de Pimentel e Patrus, que disputaram em 2010 prévias para o governo de Minas. Pimentel venceu, mas, devido ao acordo petista com o PMDB, foi lançado sem sucesso o nome de Hélio Costa, com Patrus na vice.

Corrêa também comentou sobre divisão no PT de Belo Horizonte, sempre lembrada pelo atual vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho.

Divulgação/Governo Minas Gerais
Prefeito Marcio Lacerda (PSB) tem apoio do PT e do PSDB

"Quem conhece o PT, sabe que ele se organiza em grupos e a divisão é natural. O próprio Lula disputou prévias. Há partidos com disputas internas muito violentas e este não é o caso do PT de Belo Horizonte. Acredito que estamos conseguindo terminar o processo em harmonia e com apoio em torno do Marcio (Lacerda). Estou certo de que as lideranças do PT buscarão unidade."

Trajetória na política estudantil

Ouvidor-geral da Câmara dos Deputados, Miguel Corrêa Júnior é formado em História pelo Centro Universitário de Belo Horizonte, UNI-BH, onde começou a militância estudantil ao lado do atual presidente do PT de Minas Gerais, o deputado federal Reginaldo Lopes (militante estudantil na histórica cidade de São João del-rei).

Fundador de uma Organização Não Governamental (ONG) chamada Mudança Já, elegeu-se vereador pelo PPS e poucos meses depois rompeu com a sigla de Roberto Freire para filiar-se ao PT. “Assim que o PPS rompeu com Lula, eu também rompi com o PPS”, lembra. Vereador, disputou com sucesso uma vaga na Câmara Federal, em 2006, e reeleição, em 2010.

A relação com Pimentel começou na eleição municipal de 2000, quando o ministro foi candidato à vice na chapa encabeçada por Célio de Castro. Desde esta época, Corrêa é aliado do ministro.

“João Leite (hoje deputado estadual) era candidato e estudava na minha universidade. Houve um pensamento de que o movimento estudantil lá poderia apoiar o João Leite (PSDB), mas nós apoiávamos a chapa do Célio de Castro (PSB). Pimentel esteve pessoalmente na universidade e recebeu meu apoio”.

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