Relator da CPI fará 'media training' com delegados da Polícia Federal

‘Intensivão’ esta sexta-feira servirá para corrigir falta de traquejo de Odair Cunha no questionamento a depoentes, evidenciado após sessão com governador tucano

Fred Raposo - iG Brasília |

Divulgação
O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG)

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira , deputado Odair Cunha (PT-MG), passará nesta sexta-feira por um “media training”, em Brasília, com delegados da Polícia Federal. A ideia é aprimorar seu desempenho na comissão no papel de, digamos... inquisidor.

A avaliação é que vem faltando traquejo ao petista - conhecido pelo perfil tímido, voltado para articulações de bastidores -  no questionamento a depoentes. Como relator, ele é o principal “entrevistador” da CPI, incumbido de fazer dezenas de perguntas ao longo de sessões que se arrastam por mais de dez horas. 

Discordância: Aliados pressionam relator da CPI por convocação de Pagot e Cavendish

Desde que assumiu a relatoria da comissão, no fim de abril, o petista faz trabalho paralelo de “media training” para melhorar sua fala em público. O treinamento com delegados – acostumados a longas inquisições –, que começará pela manhã e deve tomar boa parte da agenda de Cunha esta sexta, servirá como espécie de “intensivão” para prepara-lo para os próximos depoimentos.

Algumas das oitivas são apontadas como fundamentais para as investigações por parlamentares da base e da oposição . Entre elas, estão a do ex-diretor geral do Departamento Nacional de Obras de Infra-Estrutura (Dnit), Luiz Antonio Pagot, e a do dono da empreiteira Delta Construções, Fernando Cavendish.

A falta de manejo de Cunha com a lábia ficou evidente no depoimento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) , na última terça-feira, quando o relator mostrou dificuldade em colocar o tucano contra a parede. Após a primeira rodada de perguntas, o relator foi cobrado por aliados, que consideraram mornas as questões levantadas por ele.

Cunha subiu então o tom e sugeriu que Perillo abrisse espontaneamente seu sigilo bancário. O pedido causou revolta na oposição e levou a um bate-boca na comissão. Com o petista já sob pressão, a situação se agravou quando ele trocou as bolas e disse que Perillo comparecera à CPI como investigado, embora o governador estivesse ali convocado como testemunha.

Tucanos e aliados reagiram com gritos, batidas na mesa e dedos apontados para o relator. “Ele levou um puxão de orelha de alguém lá fora”, insinuou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), se referindo a uma possível ligação telefônica do ex-presidente Lula a Cunha. O relator então recuou e corrigiu o erro.

Perfil

Deputado mineiro em terceiro mandato, Cunha é ligado à corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil (CNB). De origem católica, ele participou no ano passado da articulação que elegeu Marco Maia (PT-RS) para a presidência da Câmara , derrotando o candidato favorito e ex-líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Cunha também relatou matérias importantes para o governo na Câmara. Entre elas, a  Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorrogou a chamada Desvinculação de Receitas da União (DRU) , mecanismo que permitiu o governo a usar livremente de 20% das receitas arrecadadas.

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