Recém-separados em Fortaleza, PSB e PT tentam manter aliança estadual

Partido do governador Cid Gomes decidiu não apoiar candidatura petista na capital e lançar nome próprio; na Assembleia, deputados evitam a palavra 'rompimento'

Daniel Aderaldo , iG Ceará |

A decisão do PSB de não apoiar o PT em Fortaleza e lançar nome próprio na disputa pela sucessão municipal colocou em risco a aliança das duas siglas também no âmbito estadual.

O veto ao pré-candidato petista, Elmano Freitas , foi acompanhado de críticas à gestão da prefeita Luizianne Lins. Ela é presidente o Diretório Estadual do PT e já chegou a afirmar em outra ocasião que, no caso de rompimento em Fortaleza, seria natural seu partido fazer oposição ao governador Cid Gomes (PSB) na Assembleia Legislativa.

Ao exonerar seus três secretários petistas para torná-los opções de pré-candidatos à prefeitura de Fortaleza , o governador Cid Gomes pode ter dado um tiro no pé. Ao mesmo em que tirou o partido aliado da administração estadual, ele fortaleceu a bancada hoje de apoio, mas potencialmente de oposição. Seus três ex-secretários de governo são deputados eleitos, até então licenciados. Tirados de suas pastas, retornaram ao parlamento.

Mário Sabino
A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), recebeu críticas do PSB cearense

Contudo, os deputados estaduais petistas ouvidos pelo iG seguem fiéis a Cid. Eles não desejam o término da parceria e se apegam ao fato de PT e PSB permanecerem negociando coligações para as eleições nos municípios do interior. Em cidades importantes, como Juazeiro do Norte e Sobral – reduto dos irmãos Ferreira Gomes – os petistas encabeçam chapas com apoio dos socialistas.

“Nós estamos discutindo com várias lideranças em todo Estado. Independente de nossa discussão em Fortaleza, o PT não romperá com o PSB do Cid Gomes”, avalia o deputado Dedé Teixeira (PT).

Líder do governo Cid Gomes durante os quatro anos de seu primeiro mandato, e até uma semana atrás titular da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado, o deputado Nelson Martins (PT) defende que a aliança “não pode se resumir apenas à situação específica de Fortaleza". Otimista, o petista prospecta ainda uma reaproximação na capital em um eventual segundo turno, desde que os partidos façam uma campanha “de alto nível sem ataque pessoal”.

O líder do bloco PT/PSB, deputado Welington Landim (PSB), acredita que “seja difícil, mas não impossível” que os dois partidos sigam aliados no Estado. “Se não houver entendimento o bloco deve desaparecer”, pondera.

A aliança entre PSB e PT no Ceará começou em 2004, quando os socialistas apoiaram a candidatura desacreditada da então candidata petista Luizianne Lins. Na época, boa parte do partido - incluindo a direção nacional - apostou na candidatura derrotada do senador Inácio Arruda (PCdoB). Em 2008, as bodas foram renovadas com a reeleição da prefeita. Nesse meio tempo, em 2006, o PSB se beneficiou com a vitória de Cid Gomes e, em 2010, com sua reeleição folgada logo no primeiro turno – sempre com o apoio do PT.

    Leia tudo sobre: eleições2012eleições2012cearáPTPSBfortalezacid gomesceará

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG