CPI não recebe interceptação telefônica e esvazia munição contra Agnelo Queiroz

Governador do DF depõe nesta quarta-feira; oposição reclama que apenas parte do inquérito da operação Saint Michel foi disponibilizada

Fred Raposo - iG Brasília | - Atualizada às

A demora no recebimento de interceptações telefônicas da Polícia Civil do Distrito Federal, pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira , deve esvaziar a munição da oposição contra o governador da capital, Agnelo Queiroz (PT). O depoimento de Agnelo começou às 10h35. "Minha presença na CPI é fruto da luta política", disse o governador do DF no início de sua fala. "Não há no documento [requerimento de convocação] nenhum ato que eu tenha praticado em favor de Cachoeira e da empresa Delta (...). A história que trago aqui é a de um governo perseguido pelo crime organizado", afirmou. Agnelo levou documentos à CPI e nega qualquer favorecimento do governo do DF à construtora Delta. 

Agência Brasil
O governador do DF, Agnelo Queiroz, depõe à CPI do Cachoeira

Ontem, o governador de Goiás, Marconi Perillo, depôs por mais de oito horas e negou qualquer relação com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira .

Ex-chefe de gabinete

O governador do DF afirmou que mantém confiança no seu ex-chefe de gabinete Cláudio Monteiro, que pediu demissão após ser flagrado, pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em interceptações telefônicas com dois supostos operadores do contraventor. "Eu perguntei ao Cláudio Monteiro e ele me garantiu que isso não aconteceu, não teve o repasse, não tem uma interceptação com o Cláudio Monteiro", respondeu Agnelo, ressaltando que foi o próprio Monteiro quem preferiu colocar o cargo à disposição.

O grupo de Cachoeira também teria entregue um aparelho Nextel a Cláudio Monteiro. O governador do DF disse que também questionou o ex-assessor sobre o tema e, segundo ele, Monteiro negou ter recebido o aparelho. Agnelo, lembrando que Monteiro também colocou seus sigilos à disposição a fim de apurar "a verdade dos fatos". O governador do DF disse que uma investigação dentro do GDF apura a conduta do seu ex-auxiliar direto. Na semana passada, exonerou dois secretários para engrossar sua bancada na Câmara.

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Oposição reclama de dados

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), reclama que a comissão recebeu, na quarta-feira da semana passada, apenas parte do inquérito da operação Saint Michel. “Não creio em surpresas porque não vieram os anexos com as gravações telefônicas, que podem aprofundar as relações de Cachoeira com o governo do Distrito Federal”, diz o tucano.

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Na sessão de ontem da CPI, que ouviu o governador do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) , Dias levantou uma questão de ordem questionando a demora no recebimento dos dados. “Estamos sendo rápidos para aprovar requerimentos, mas as informações estão chegando em um passo muito lento. Não vamos poder nos valer disto”, assinala.

Iniciada em abril, a operação Saint Michel é um desdobramento da Monte Carlo, que resultou na prisão de Cachoeira e outras pessoas ligadas a ele. A investigação da Polícia Civil da capital identificou a tentativa do grupo do contraventor em fraudar licitações para implantação de bilhetes eletrônicos no transporte público de Brasília.

Mesmo sem as gravações, a oposição promete rigor contra Agnelo similar a que aliados tiveram no depoimento de Perillo. Deve abordar, por exemplo, o suposto envolvimento do petista e de seus assessores em lobby para um grupo farmacêutico acusado, entre outras coisas, de sonegação fiscal e falsificação de medicamentos.

“Espero que Agnelo demonstre a mesma qualidade, segurança e lisura que o Marconi”, afirmou o líder do PSDB na Câmara, deputado Bruno Araújo (PE). Preocupado com as denúncias, Agnelo montou uma verdadeira operação para reforçar sua defesa. Na semana passada, exonerou dois secretários para engrossar sua bancada na Câmara .

Também determinou o rompimento do contrato que a empreiteira Delta, suspeita de ligações com Cachoeira, mantinha com o DF. Petistas, no entanto, se dizem tranquilos em relação ao depoimento de Agnelo. “Todas as questões serão esclarecidas”, afirma o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP). “Acho que Agnelo virá convicto e de alma tranquila”.

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