Relator pede que Perillo abra sigilos e provoca bate-boca na CPI

Parlamentares do PSDB reagiram ao pedido de Odair Cunha e questionaram se ele não estava ali como representante do PT

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Deputados e senadores do PSDB reagiram duramente à sugestão feita nesta terça pelo relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), de pedir que o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, abra por vontade própria seus sigilos bancário, fiscal e telefônicos. Os parlamentares do PSDB levantaram-se e lançaram palavras de ordem. "É um requerimento disfarçado de pergunta", protestou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), sentado na primeira fila. "Isso não é admissível. O colegiado tem que decidir", afirmou.

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Sampaio, um dos mais exaltados na discussão com Odair Cunha, conversa com o presidente da CPI

Para defender a posição, Cunha disse que Perillo "é, sim, investigado". Foi o suficiente para gerar nova onda de protestos dos tucanos, que chegaram a questionar a função de Cunha: "O senhor está aqui como relator da CPI ou vice-líder do PT". "O relator não sabe separar testemunha de investigado", questionou novamente Sampaio. O relator rapidamente fez uma correção, dizendo que Perillo comparece à CPI como testemunha de uma investigação. Cunha lembrou que pelo menos seis pessoas importantes do governo de Goiás foram envolvidas com o grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira. "Não é pouca coisa: o governador vem aqui e diz que não se lembra, não se sabe das coisas", afirmou o relator, ressaltando que há quem esteja "antecipando uma conclusão que eu não concordo".

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Sampaio criticou mais uma vez o que considera "direcionamento" das investigações feitas pelo relator da CPI do Cachoeira. Um dos mais exaltados tucanos com a sugestão feita por Cunha Sampaio disse que o relator estaria atuando em favor dos interesses do PT, seu partido, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

"Por que essa avidez para apurar os casos envolvendo o PSDB e a falta de vontade para investigar o governo do DF? É evidente o direcionamento", afirmou. Sampaio lembrou que, no depoimento do ex-vereador de Goiás Wladimir Garcez (PSDB) à CPI, no dia 24 de maio, Cunha também fez perguntas direcionadas para atingir o governador de Goiás. Odair Cunha respondeu a Sampaio de forma lacônica, sem querer polemizar: "Não se trata disso".

Cunha disse que a versão do governador tem início, meio e fim, mas é preciso investigar. "Aqui há o benefício da dúvida, mas sem conclusões precipitadas", destacou. Logo em seguida, Perillo disse que a manifestação "incisiva" de Cunha não seja uma antecipação do que será apresentado no relatório. O governador de Goiás afirmou não ver "motivos suficientes" para que seus sigilos bancário, fiscal e telefônico sejam quebrados. "Vossas excelências é que terão que tomar esta decisão", disse, ressaltando que o colegiado é soberano para aprovar ou rejeitar o eventual pedido de afastamento dos sigilos.

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