Perillo depõe na CPI pressionado por quebra de sigilo

Governador tucano corre risco de ser abandonado pelo próprio partido caso não dê explicação convincente sobre relacionamento com Cachoeira

Fred Raposo - iG Brasília | - Atualizada às

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), depõe hoje às 10h15 na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sob a ameaça de ser abandonado pelo próprio partido caso não dê explicações convincentes sobre seu relacionamento com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Assista ao vivo ao depoimento de Perillo na CPI

O PSDB condicionou o apoio ou não ao requerimento de quebra de sigilo fiscal, telefônico e bancário de Perillo ao seu desempenho na CPI. “Isso vai ficar para depois do depoimento. Primeiro é importante ouvir o que ele tem a dizer para saber se é necessária ou não a quebra de sigilo”, afirma o líder tucano no Senado, Alvaro Dias (PR).

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Dias nega que o PSDB atuará na defesa de do governador goiano. “Nossa postura será a de indagar”, assinala. “Vamos perguntar aquilo que os governistas não questionarem. A expectativa é que com esse depoimento se encerre este assunto”. Perillo é suspeito de ter negociado uma casa com Cachoeira por intermédio do ex-vereador tucano Wladimir Garcez.

Há diferentes versões sobre a venda do imóvel, que ganhou os holofotes por ter sido o local onde Cachoeira foi preso pela Polícia Federal. A mais recente foi dada pelo empresário Walter Paulo Santiago, que afirmou na CPI ter pago a casa em notas de R$ 50 e R$ 100 . Até então, Perillo vinha informando ter recebido o pagamento em cheques, que foram emitidos por um sobrinho de Cachoeira.

Segundo a polícia, o governador também nomeou pessoas indicadas por Cachoeira para órgãos do governo. Perillo deve ser questionado ainda sobre a denúncia do jornalista Luiz Carlos Bordoni, que admitiu ter recebido pagamento por serviços prestados à campanha eleitoral de 2010 do tucano por meio de empresa ligada ao esquema de Cachoeira.

A quebra de sigilo de Perillo vem sendo defendida principalmente pelo PT. No entanto, não há ainda maioria na comissão que garanta a aprovação do requerimento. “Já há indícios para a quebra de sigilo”, defende o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP). “O cheque que pagou o imóvel de Perillo veio da organização de Cachoeira. Quem vendeu a casa tem que saber quem a vendeu, e vice-versa”.

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A sessão administrativa que analisará o requerimento de quebra de sigilo está marcada para quinta-feira. Para obter a quebra, os petistas precisam do apoio do PMDB e de outros partidos da base, assim como dos parlamentares considerados “independentes” que integram a CPI – como os senadores Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

Ambiente na CPI

Esses grupos foram decisivos na votação que convocou o governador de Brasília, Agnelo Queiroz (PT), que irá depor na quarta-feira. “Tudo pode ser sintetizado no grau de relacionamento que o governador Perillo mantinha com Cachoeira”, assinala Randolfe. “A quebra de sigilo de Perillo dependerá do depoimento dele. Se as explicações não forem suficientes, acho que a quebra será inevitável. Tem ambiente na CPI para isso”.

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