Governador de Goiás depõe por oito horas à CPI e nega relação com Cachoeira

Perillo admite ter encontrado o contraventor três vezes, mas nega negócios ou tráfico de influência; ele se diz 'vítima de uma grande injustiça' e negou irregularidade em venda da casa

iG São Paulo | - Atualizada às

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), depôs por oito horas à CPI  e negou qualquer relação com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , que está preso desde fevereiro acusado de orquestrar um esquema de exploração de jogos ilegais, envolvendo políticos e empresas. Ele admitiu ter encontrado o contraventor por três vezes, mas nega negócios ou tráfico de influência. Perillo também disse que se considera "vítima de uma grande injustiça", devido às denúncias envolvendo seu nome. "Às vezes, não consigo acreditar no tamanho da crueldade e no volume das informações distorcidas", disse.

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"Nunca mantive nenhuma relação de proximidade com o senhor Carlos Cachoeira", afirmou o tucano. "Trinta mil horas de gravações, três anos de gravações e não há nenhuma ligação do senhor Carlos Cachoeira para o meu telefone, ou para o meu gabinete", disse.

Perillo afirmou que a única ligação que fez a Cachoeira foi para lhe dar parabéns pelo seu aniversário. "Eu não estava telefonando ali para um contraventor. Estava ligando para um empresário que trabalhava na área de medicamentos", afirmou, acrescentando que Cachoeira possuía livre trânsito na elite política de Goiás.

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Posteriormente, entretanto, o governador goiano admitiu ter tido alguns encontros com Cachoeira: um deles oficial no Palácio das Esmeraldas, outro em um jantar na casa de Edivaldo Cardoso - presidente do Detran de Goiás, que pediu exoneração após denúncias de ligação com Cachoeira - e um terceiro em jantar na casa do senador Demóstenes Torres - alvo de processo no Conselho de Ética por relações com o contraventor.

"A relação que eu tive com ele, esse encontro no palácio, na casa do Edivaldo e do Demóstenes, era um encontro com um empresário", afirmou.

Ele acrescentou que, salvo uma vez em que Cachoeira o interpelou sobre incentivos fiscais para o laboratório farmacêutivo Vitapan, o qual é sócio, os dois conversaram sobre assuntos corriqueiros. "Foram assuntos de futebol, assuntos que qualquer pessoa conversa em um jantar."

Quanto às centenas de vezes que seu nome é citado nas gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal através da Operação Monte Carlo, Perillo afirmou que não pode se responsabilizar por citações de terceiros. "Wladimir Garcez disse que usou meu nome para mostrar prestígio junto aos seus empregadores (...). Eu não posso me responsabilizar por conversas irresponsáveis", disse Marconi Perillo em referência ao ex-vereador e ex-assessor de Carlos Cachoeira, Wladimir Garcez, que prestou depoimento na CPI .

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Venda de casa

Perillo afirmou nesta terça-feira que não há contradições nas versões expostas sobre a venda de sua casa , localizada em um bairro de alto padrão, em Goiânia. O imóvel, no valor de R$ 1,4 milhão, foi pago com três cheques do sobrinho de Cachoeira. A casa foi também palco da prisão do contraventor em fevereiro desse ano.

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Perillo endossou a versão apresentada por Garcez, que teria sido um intermediário da venda da casa para o empresário Walter Paulo. Segundo o governador, que reproduziu partes do depoimento de Garcez na CPI, o ex-vereador mostrou interesse pelo imóvel e se ofereceu para comprá-lo. Como não possuía recursos, recorreu aos seus empregadores, Claudio Abreu, ex-diretor da Delta Construções, e a Carlos Cachoeira, que lhe emprestaram três cheques, repassados a Perillo.

De acordo com o depoimento do governador, quando ele cobrou de Garcez a escrituração, este lhe informou que a venda havia sido repassada para o empresário Walter Paulo Santiago. O empresário, por sua vez, fez o pagamento em dinheiro, com a presença de um representante do governador. Segundo Santiago, este representante era o assessor Lúcio Fiúza, exonerado na semana passada.

Delta

O governador disse que jamais recebeu doação de campanha da Delta Construções. Segundo ele, a empreiteira tem ligações com outros grupos políticos no Estado. Perillo afirmou que, se recebeu recursos da Delta, foi por meio de empresas ligadas ao grupo.

Perillo fez questão de minimizar a influência da empreiteira no Estado. Segundo ele, a Delta recebeu R$ 14 milhões no ano passado e R$ 4 milhões, este ano.

O governador disse que jamais houve qualquer direcionamento do seu governo à empreiteira. Disse também que o ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB), contratado pela Delta no Estado, não lhe fez qualquer pedido em favor da empresa.

Perillo disse, porém, ter sabido que Garcez esteve com pessoas do seu governo, tratando de interesses da Delta. "Não há um ato do governo, que não seja absolutamente regular", afirmou.

Questionado posteriormente se conhecia o ex-proprietário da Delta Fernando Cavendish, o governador nega. "Nunca conversei com o senhor Fernando Cavendish. Sei que já esteve em Goiás, em encontros em Goiás, mas comigo nunca", disse. Perillo admitiu ter encontrado o ex-diretor da Delta Claudio Abreu em algumas ocasiões. "Acho que foi na casa do Demóstenes. E estive com ele uma ou duas vezes na campanha (ao governo)", afirmou.

Claudio Abreu é um dos alvos das investigações que envolvem Cachoeira. E le foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Saint-Michelt, mas teve prisão revogada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal .

Chefe de gabinete

Quanto à sua ex-chefe de seu gabinete, Eliane Pinheiro, Perillo afirmou que ela pediu para sair do governo por ter ficado constrangida com as acusações. Eliane foi flagrada em conversas telefônicas com Cachoeira, mas nega envolvimento com o esquema do contraventor.

"Ela trabalhava atendendo aos partidos em sala distante da minha e nunca pediu nada para favorecer qualquer pessoa ligada aos investigados. Eu nunca soube das relações pessoais dela com o senhor Carlos Augusto Ramos", afirmou Perillo.

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