Delta alimentou conta bancária que pagou casa de Perillo

Dados sigilosos apontam triangulação entre empreiteira e empresas ligadas a esquema Cachoeira no desembolso de R$ 1,4 milhão por imóvel de governador tucano

Fred Raposo - iG Brasília | - Atualizada às

A empreiteira Delta Construções, suspeita de ligação com o esquema do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, alimentou a conta bancária usada para pagar a casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Pelo negócio, Perillo recebeu no ano passado três cheques nominais que somam R$ 1,4 milhão – sendo dois de R$ 500 mil e um de R$ 400 mil – da empresa Excitant, indústria e Comércio de Confecções, que pertence a uma cunhada de Cachoeira.

As datas de compensação de pelo menos dois cheques coincidem com as de transferências feitas pela empresa fantasma Alberto e Pantoja Construções – criada por operadores de Cachoeira para receber recursos da Delta – para a Excitant. 

A triangulação foi revelada pelo cruzamento entre os dados bancários da Alberto e Pantoja, cujos sigilos foram quebrados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira , e os documentos apresentados por Perillo aos congressistas. 

O primeiro cheque, de 2 de março de 2011, no valor de R$ 500 mil, foi compensado em 4 de abril – mesmo dia em que a Alberto e Pantoja transferiu R$ 250 mil para Excitant. Já o terceiro cheque a Perillo, de R$ 400 mil, foi compensado em 2 de maio de 2011. Na mesma data, a Alberto e Pantoja repassou também R$ 40 mil para a empresa titular dos pagamentos ao tucano.

Poder Online: Veja a cópia de um dos cheques que Perillo alega ter recebido pela casa

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) afirma que a documentação complica o tucano. “Esta é a prova de que quem comprou a casa de Perillo foi o Cachoeira”, afirma Randolfe. Segundo ele, a Alberto e Pantoja já recebeu mais de R$ 26 milhões da Delta. "Precisamos quebrar agora o sigilo de outras 29 empresas que tiveram relação com a Alberto e Pantoja”, completa. 

Em sua defesa, Perillo disse na CPI que não observou quem eram os emitentes dos cheques. "Se os cheques foram providos por uma empresa ligada a Cachoeira, ele que é responsável por isso. A casa foi transferida por meio de escritura para o (empresário) Walter Paulo (Santiago), completou o governador de Goiás. 

Versões

Walter Paulo disse semana passada na CPI ter pago o imóvel em notas de R$ 50 e R$ 100 , contradizendo Perillo. A venda da casa do tucano ganhou os holofotes por ter sido o local onde Cachoeira foi preso pela Polícia Federal. Após o caso vir à tona, surgiram diferentes versões sobre o negócio. Na CPI, contudo, governador tucano negou haver contradições .

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