Entrada do PMDB no páreo embaralha disputa pela Prefeitura de Salvador

A pré-candidatura de Mário Kertész põe fim à polarização entre PT e DEM na capital baiana

João Paulo Gondim - iG Bahia |

Divulgação
Kertész é o candidato do PMDB em Salvador

O surgimento de um terceiro nome competitivo na corrida eleitoral de Salvador elimina a polarização que se desenhava entre o PT (detentor da máquina estadual, com o governador Jaques Wagner), na figura do deputado federal Nélson Pelegrino, e o DEM, representado pelo deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto, herdeiro do carlismo.

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Há poucos dias, o que era especulação tornou-se fato: o peemedebista Mário Kertész confirmou a sua pré-candidatura a prefeito, cargo que ocupou em dois períodos: de 1979 a 1981 – nomeado e demitido pelo então governador, Antônio Carlos Magalhães – e de 1986 a 1989, rompido com ACM, em eleições diretas.

Dono de meios de comunicação, como a rádio Metrópole, Kertész, desde o início do ano, teve sua entrada na campanha cogitada pelo presidente do PMDB na Bahia, o deputado federal Lúcio Vieira Lima. Em 2008, o partido reelegeu o atual prefeito João Henrique Carneiro, que hoje está no PP. Carneiro é alvo de duras críticas de Kertész. "A cidade está completamente abandonada, maltratada. O caos é absoluto. Há desordem por toda a parte. A população está desesperançosa".

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Para o deputado Vieira Lima, não há constrangimento que seu atual pré-candidato seja opositor daquele eleito há quatro anos por seu partido. "Foi João Henrique que mudou, e não o PMDB. Ele abandonou um projeto político que estava dando certo. Entre o prefeito e o povo, o partido preferiu ficar com o povo", afirmou o dirigente.

De acordo com Kertész, sua demora em assumir a entrada no pleito se deu porque ele queria conhecer os concorrentes à prefeitura. Um fator crucial foi a saída de cena do ex-prefeito Antônio Imbassahy, que teve a sua pré-candidatura rifada em prol de uma aliança com o DEM. "Imbassahy era um bom nome. Eu o apoiaria se ele fosse candidato", disse o peemedebista.

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Segundo Kertész, seus principais adversários não estão preocupados em administrar a cidade de fato. "Eles não pensam na gestão de Salvador, mas nos seus projetos políticos. ACM Neto quer disputar o governo do Estado em 2014. Outro aspecto é que o DEM tem como objetivo a sua ressurreição política, já que Salvador é a única capital em que o partido tem chance de vencer. E Pelegrino busca a hegemonia política do PT na Bahia", avaliou o peemedebista. Kertész afirmou não ter planos políticos além de governar novamente o município.

Ele classificou de "terrorista" a estratégia do PT em afirmar ser impossível governar o município sem seguir a mesma linha política do Estado e da União. "Falar isso é negar o pacto federativo. A prefeitura não deve funcionar como uma secretaria subordinada ao governo do Estado, e sim com competência, boa equipe e bons projetos", disse Kertész, que acrescentou. "Além disso, tenho boas relações com Wagner e com Lula".

O presidente da executiva do DEM no Estado, José Carlos Aleluia, disse ser amigo pessoal de Kertész, e que sua futura candidatura vai enriquecer a corrida eleitoral. Presidente do diretório municipal do PT, a vereadora Marta Rodrigues declarou não temer a presença do ex-prefeito na campanha. Para ela, Kertész vai disputar os votos de eleitores com o perfil de ACM Neto, e não de Pelegrino.

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