Suposto "software espião" aumenta crise no Ministério Público de Goiás

Presidente da associação dos promotores classifica denúncia como obra de forças políticas dentro da instituição

Wilson Lima , iG Brasília |

A denúncia de promotores responsáveis pelo combate ao crime organizado em Goiás sobre a existência de um suposto software “espião” que seria utilizado para quebrar o sigilo de operações do Ministério Público Estadual (MPE-GO) aumentou a crise interna no órgão.

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O desentendimento de membros do MPE-GO começou após o desencadeamento da Operação Monte Carlo, responsável pela prisão do bicheiro Carlinhos Cachoeira . De forma curiosa, a Monte Carlo surgiu durante investigação do Ministério Público goiano, após inquérito instaurado pelo então promotor de Valparaíso, Bernardo Boclin.

Durante as investigações da Operação Monte Carlo, foi descoberto que o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) intermediou interesses de Carlinhos Cachoeira junto à Procuradoria-Geral de Justiça de Goiás, comandada por seu irmão, Benedito Torres. Conforme o inquérito instaurado pela Procuradoria-Geral da República, em uma das conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal (PF), Demóstenes Torres, tentou utilizar a estrutura do MP-GO contra uma transportadora concorrente do Bicheiro.

Essa suposta influência do senador é alvo de investigação interna no MP goiano, instaurada há aproximadamente duas semanas. Benedito Torres também é alvo de um inquérito no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) . As investigações tem como objetivo apurar a existência de crime de tráfico de influência. Alguns promotores defendem que, por conta da suspeita, o procurador-geral deveria pedir afastamento temporário.

A denúncia de promotores sobre o suposto software espião, na semana passada, acirrou ainda mais os ânimos no Ministério Público de Goiás. O MP classificou a representação como “informação sem fundamento técnico” e destacou que seriam necessários a 7tb (terabytes) em cada computador e 19pb (petabytes) no servidor central da instituição para se fotografar a tela de promotores a cada 30 segundos.

Dentro do órgão, existem promotores que classificam a denúncia como “fato político” que tinha o objetivo apenas de constranger o procurador-geral já pensando nas eleições do MPE no ano que vem. Isso porque, o uso do suposto software espião é conhecido pelos próprios promotores. “Os promotores que fizeram essa denúncia nem se atentaram ao fato de que o programa foi instalado na gestão anterior”, disse um membro do MP-GO.

O presidente da Associação Goiana do Ministério Público (AGMP), Alencar José Vital, concorda com essa a tese de movimento político contrário ao procurador Benedito Torres, mas preferiu não citar nomes. “A atuação de forças de oposição é absolutamente normal dentro de qualquer instituição”, reconheceu. “Acredito que após as investigações, tudo vai ficar esclarecido. Até porque, se o procurador-geral tivesse algo a esconder, ele seria contra a ‘Monte Carlo’ e não foi isso que aconteceu”, complementa Vital.

Hoje, existem dois grupos fortes dentro do MP Goiano. Um liderado por Benedito Torres e outro comandado pela ex-procuradora-geral de Justiça, Ivana Farina. A ex-procuradora-geral de Justiça chegou a afirmar recentemente que “existe uma organização criminosa dentro do MP”. Organização essa que seria comandada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.

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