Fracassa acordo de Aécio e Vargas em processo sobre dossiê contra Serra

Senador de Minas quer meio milhão de dirigente petista que teria sugerido o envolvimento do tucano no caso

Denise Motta - iG Minas Gerais |

Uma tentativa de acordo entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal André Vargas (PT-PR) fracassou nesta segunda-feira (4), em audiência no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte. Aécio processou o secretário de Comunicação do PT Nacional porque, durante a eleição de 2010, Vargas indicou que o tucano seria o responsável pela produção de um dossiê envolvendo a família do então candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB-SP). O pedido de indenização por danos morais é de R$ 500 mil.

Leia mais: Deputado petista cogita pedido público de desculpas a Aécio

Com o afastamento da possibilidade de conciliação, advogados de Aécio e de Vargas agora irão trabalhar em coleta de provas de defesa e de acusação e há possibilidade de testemunhas serem ouvidas para atestar ou não argumentos. A tese de Vargas, explicou seu advogado Marcos Gusmão, é de que ele apenas reproduziu uma informação que já havia sido divulgada na imprensa.

“A gente tentou trabalhar conciliação, mas não houve possibilidade por implicações não apenas pessoais, mas também políticas. O pedido público e formal de desculpas não foi aceito pelo deputado André Vargas porque as alegações partiram de matéria veiculada na imprensa. Ele não foi a origem da notícia. Ele não foi a fonte da questão”, afirmou ao iG Gusmão.

O iG tentou contato com advogados de Aécio, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Em março, o advogado José Sad Júnior havia afirmado que uma possibilidade de acordo envolveria a doação de dinheiro para uma instituição carente e um pedido público e formal de desculpas de Vargas pelo seu Twitter . “O interesse do senador é restabelecer a verdade. É preciso reparação da verdade dentro da dimensão de que o Aécio é um potencial candidato à Presidência da República”, afirmou na ocasião Sad Júnior. Vargas, também na ocasião, disse ser o pedido de desculpas uma hipótese, mas não a única.

Ação cita reprodução de declaração na mídia

No processo movido por advogados do senador mineiro, “declarações caluniosas” são apontadas como causa da ação judicial de danos morais. “A ofensa ao autor (Aécio) teve irrestrita divulgação, pois além de o réu ter 4.735 seguidores no Twitter, foi noticiada amplamente nos jornais impressos e na Internet", alega o processo. Hoje Vargas possui 9.439 seguidores no Twitter. Nesta rede de microblog, o petista postou no dia 8 de setembro de 2010: “Quem produziu o dossiê foi o Aécio, com sua vontade de disputar a Presidência da República. Acredito que hoje ele esteja feliz por não passar este vexame”.

O dossiê citado por Vargas resultou em um livro chamado Privataria Tucana, de autoria do jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Na obra, o escritor questiona relações da filha de Serra, Verônica, e o marido dela, Alexandre Bourgeois, com o banqueiro Daniel Dantas, sugerindo lavagem de dinheiro. Quando o dossiê foi divulgado na imprensa, o então coordenador de campanha eleitoral de Dilma Rousseff, hoje ministro de Desenvolvimento, Industria e Comércio, Fernando Pimentel (PT-MG), também teve seu nome citado. “Amaury fora de controle Aécio via Pimentel plantou no colo do PT aquilo que não temos nada a ver. Antídoto contra informações comprometedoras”, escreveu Vargas no Twitter na época.

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