Empresário que comprou casa de Perillo nega relação com Cachoeira

Em depoimento à CPI, Walter Paulo, que adquiriu o imóvel em que Cachoeira foi preso, diz que fez o pagamento em dinheiro e que desconhecia cheques de sobrinho de contraventor

iG São Paulo | - Atualizada às

O empresário Walter Paulo Santiago afirmou, durante depoimento concedido à CPI do Cachoeira nesta terça-feira, que não tem nenhuma relação com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Santiago comprou a casa que pertencia ao governador de Goiás, Marconi Perillo, na qual o contraventor foi preso pela Polícia Federal (PF) em fevereiro. Segundo ele, o pagamento foi feito ao assessor de Perillo, Lúcio Fiúza, e ao ex-vereador Wladimir Garcez, tido como o braço político da organização de Cachoeira.

Depoimento:  Empresário contradiz governador de Goiás sobre compra de imóvel

Leia mais: Sobrinho de Cachoeira pagou compra da casa de Perillo, diz delegado à CPI

Governador de Goiás: Dado contradiz versão sobre casa onde Cachoeira foi preso

Agência Brasil
Dono de faculdade em Goiânia, Walter Santiago deu uma nova versão para a compra da casa de Perillo


Santiago disse que a casa, no valor de R$ 1,4 milhão, foi paga exclusivamente em dinheiro, em notas de R$ 50 e R$ 100, entregues em "pacotinhos" aos dois representantes. Ele afirmou que Garcez mostrou a casa, localizada em Goiânia, e que o governador Perillo estava interessado em vendê-la. "Eu falei: 'Eu posso comprar, mas só vou ter dinheiro em julho (de 2011)'. E eu os paguei. A ele (Wladimir Garcez) e a Fiúza."

Ainda sobre o dinheiro pago na casa, o senador Pedro Taques (PDT-MT) questionou o empresário sobre onde teria colocado o R$ 1,4 milhão do negócio. "Coisinha à toa. Uma caixinha carrega um milhão", respondeu. A resposta causou gargalhadas entre os parlamentares da CPI.

Segundo a versão de Garcez sobre a casa , ele mesmo teria comprado o imóvel do tucano para tentar lucrar em uma revenda. Por não ter recursos para comprá-la, ele pediu ao ex-diretor da Delta Claudio Abreu e à Cachoeira o dinheiro.

Candidato:  Empresário que pagou R$ 1,4 milhão por casa de Perillo não tinha bens em 2008

Garcez afirmou à CPI que Claudio lhe repassou três cheques para pagar o governador, no nome de Leonardo Almeida Ramos, sobrinho de Cachoeira. O ex-vereador falou ainda que tentou, sem sucesso, vender a casa por um valor maior. Foi aí que Claudio Abreu passou a pressioná-lo para pagar a dívida. Ele então vendeu o imóvel pelo mesmo valor que comprou a Santiago, recebendo uma comissão de R$ 100 mil.

Santiago afirmou hoje desconhecer os cheques pertencentes a Leonardo de Almeida Ramos, sobrinho de Cachoeira, que Garcez teria entregue a Perillo. "Não conheço essa pessoa, nunca vi. Até o nome nunca ouvi. Não paguei com cheque. Paguei com dinheiro, em notas exclusivas de R$ 50 e R$ 100."

Ele disse que a casa foi adquirida por ele em nome da empresa Mestra, de propriedade do engenheiro Écio Ribeiro, e da qual é "mero administrador". A intenção era dar a casa à sua filha, assim que ela se casasse. Isso seria feito após ele quitar o valor do imóvel junto à empresa. Segundo Santiago, "a casa permaneceu em posse de Garcez, que adiou a entrega, alegando estar necessitando da mesma para uma amiga".

"Eu liguei para cobrar a entrega e ele disse que entregaria em 15 de fevereiro de 2012. A pessoa que morou na casa, durante o tempo em que esteve emprestada, eu não conheço. Nunca fui nessa casa, a senhora nunca a vi. Nunca me ligou, nunca me agradeceu. Nunca vi essa senhora", disse à CPI.

Ele acrescentou que, durante todo o processo de transação do imóvel, não manteve nenhum contato com seu antigo proprietário, o governador Marconi Perillo. "Reafirmo que em momento algum tive contato pessoal com Marconi Perillo para negociar o imóvel, sequer seu pagamento", afirmou.

Quanto a Cachoeira, o empresário diz não ter negócios relacionados ao contraventor. Ele afirmou que, em sua vida inteira, almoçou por cinco vezes com o bicheiro.

Outro depoimento

A professora Sejana Martins foi a próxima a falar após o depoimento de Santiago, mas usou o benefício de um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) para dar sua declaração e, em seguida, ficar em silêncio. Sejana disse que não é mais diretora da Faculdade Padrão e que seu desligamento ocorreu em 30 de agosto de 2010. “Esclareço também que não tenho conhecimento dos fatos e das pessoas investigadas nessa CPI. Saí da empresa por não ter afinidade, minha área é educacional”.

Hoje a CPI também ouviria a ex-chefe de gabinete do governador Marconi Perillo, acusada de ter trocado informações com o grupo comandado por Cachoeira. Eliane Gonçalves, no entanto, alegou crise de pressão alta e não foi à comissão. Ela já havia obtido um habeas corpus na Justiça que garantia o direito de não responder às perguntas dos deputados e senadores. 

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG