Depoimento de empresário complica Perillo, diz presidente da CPI

Para Paulo Teixeira, que exerce a presidência da comissão durante licença de Vital do Rêgo, Santiago deixou impressão de existir 'relação próxima' entre Cachoeira e governador

iG São Paulo | - Atualizada às

O presidente em exercício da CPI do Cachoeira , deputado Paulo Teixeira (PT-SP), avaliou que o depoimento do empresário Walter Paulo Santiago, concedido nesta terça-feira à comissão, pode ser um complicador para o governador de Goiás, Marconi Perillo, que tem depoimento marcado na próxima terça-feira.

Depoimento de Walter Paulo Santiago:

Empresário que comprou casa de Perillo nega relação com Cachoeira

Empresário contradiz governador de Goiás sobre compra de imóvel

Empresário que pagou R$ 1,4 milhão por casa de Perillo não tinha bens em 2008

Agência Brasil
Dono de faculdade em Goiânia Walter Santiago deu uma nova versão para a compra da casa de Perillo

De acordo com o deputado, o empresário deixou a impressão de existir uma "relação muito próxima" entre o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o governador. "O que mostra é que todas esses entes (Santiago, Cachoeira e Perillo) estão muito ligados. O depoimento dele (de Santiago) deixou uma situação complicada para o governador responder", disse o presidente após a sessão.

A investigação sobre a venda de uma casa de Perillo para Walter Paulo é o fio da meada para que a comissão possa chegar a uma conclusão sobre o envolvimento do governador com Cachoeira, preso em fevereiro sob a acusação de liderar uma organização de exploração de jogos ilegais envolvendo políticos e empresários .

Apontado pela Polícia Federal (PF) como "laranja" de Cachoeira, o empresário Walter Paulo Santiago afirmou hoje na CPI que pagou R$ 1,4 milhão pela casa do governador. Esse pagamento, de acordo com o empresário, foi feito em dinheiro. A informação contrasta com a anteriormente prestada por Perillo e pelo ex-vereador, Wladimir Garcez, que informaram que o pagamento foi feito em cheques. "Parece que temos dois pagamentos pela mesma casa. Isso o governador terá que explicar", disse Paulo Teixeira.

A atuação de Santiago no negócio ocorreu em nome da empresa Mestra, da qual ele se apresentou como "mero administrador". Santiago disse aos parlamentares da CPI que a Mestra existia apenas para fins de "fazer negócios". A Mestra, constituída em 2006, é a proprietária legal da tal casa, que Carlinhos Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro.

O capital declarado da empresa, de acordo com Santiago, é de R$ 20 mil. A empresa serviu, segundo o depoimento, apenas para dois negócios: a compra de um terreno, no valor de R$ 120 mil, e para a compra da casa do governador.

Mesmo sendo adquirida pela Mestra, o verdadeiro morador era Cachoeira, que teria arcado inclusive com o pagamento das dívidas de impostos da casa. Durante o depoimento, Santiago disse que não sabia que Cachoeira arcou com as despesas do imóvel, apesar de ser ele o morador.

Ao ser informado disso pelos senadores, Santiago disse: "Se ele pagou eu não sei, mas se ele pagou, foi pouco, porque ele morou lá sete meses. Então, se ele pagou o IPTU foi pouco. Eu deveria cobrar dele o aluguel. Ele deveria deixar pago também o condomínio".

Outro ponto obscuro do depoimento, na opinião de Paulo Teixeira, foi referente à compra de títulos do Jockey Club de Goiânia, que Santiago não deu detalhes suficientes para que os deputados e senadores entendessem a negociação. O clube manteve um contrato de comodato com a Faculdade Padrão, empresa de Santiago, que desagradou alguns sócios.

A suspeita é que, diante do incômodo, Cachoeira teria comprado o título de muitos sócios para impedir o fim do contrato. Na opinião dos deputados, o esclarecimento dessa compra poderá contribuir para caracterizar a ligação de Cachoeira com a faculdade.

Com Agência Brasil

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