Senadores acham resultado natural, mas temem voto secreto no caso Demóstenes

Enquete do iG mostrou que já há 41 votos favoráveis à cassação do mandato do senador no plenário

Adriano Ceolin e Fred Raposo - iG Brasília |

Senadores disseram, esta segunda-feira, achar natural o resultado de enquete feita pelo iG , que mostrou que já há 41 votos a favor da cassação do mandato do colega Demóstenes Torres (sem partido-GO). Ele é acusado de ser o braço político do esquema do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

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AE
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Para o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), o resultado da pesquisa “é coerente”. “Demóstenes caminha para a cassação. A gente sente isso nas conversas com todos os senadores”, afirma o tucano. “Muita gente teme uma repercussão negativa na sociedade caso ele não seja cassado”, explica.

Já o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), reforça que a enquete reflete a vontade na Casa para cassar o mandato de Demóstenes. “É uma demonstração clara do comportamento que espero do Senado”, destaca. “Mais do que uma questão de partido, esta é uma questão pessoal de cada senador. Difícil será ele não ser cassado”.

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A votação secreta, contudo, preocupa alguns senadores. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) alerta que o voto secreto pode surpreender tanto Demóstenes quanto os que pretendem cassar o mandato do goiano. “O voto secreto é uma faca de dois gumes”, assinala. “É o voto da traição, que pode ser usado por alguém que se diz amigo de Demóstenes para votar contra ele, ou por outro parlamentar, para se esconder da opinião pública”.

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Advogado de Demóstenes, Antônio Carlos Almeida Castro. Kakay, afirma que “respeita a posição dos senadores”. “É um pré-julgamento e a questão política influencia bastante. Mas é preciso analisar os aspectos técnicos e jurídicos”, diz o advogado. “Vão cassá-lo porque recebeu um telefone de presente? É desproporcional demais ao fato de ter conquistado um mandato nas urnas”, completa.

Antes de ir a votação no plenário, a cassação do mandato do senador goiano precisa ser aprovada pelo Conselho de Ética, onde o voto é aberto. Ao Conselho, Demóstenes admitiu ter ganho um telefone Nextel de Cachoeira e reconheceu que a conta era paga pelo contraventor. O relator do caso, Humberto Costa (PT-PE), apresentará o relatório até a semana que vem.

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