Aécio usa cautela ao falar sobre Perillo e pede 'voto de confiança' a governador

Ao comentar as acusações contra o governador de Goiás, seu colega de PSDB, o senador mineiro afirmou que Perillo estará na CPI por vontade própria para se defender

iG São Paulo |

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta segunda-feira que o governador tucano Marconi Perillo (GO) terá oportunidade de se explicar sobre os recursos que o jornalista Luiz Carlos Bordoni afirmou ter recebido de empresa ligada ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para prestar serviços à campanha do goiano. Para o senador, como homem público, Perillo deve ter garantido o direito "legítimo" de prestar esclarecimentos sobre "esse pagamento e outros que venham a surgir".

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Em visita às obras do Mineirão, em Belo Horizonte, Aécio disse que ainda não conversou com o correligionário sobre as acusações, mas avaliou que Perillo "tem sido muito enfático e muito firme nas explicações" sobre as denúncias que surgiram até o momento. "(O governador) terá oportunidade, por sua própria iniciativa, de estar na CPI para prestar todos os esclarecimentos. Inclusive a esse pagamento e a outros que venham a surgir. O homem público é isso, ele tem que estar sempre à disposição", afirmou o senador.

Apesar de sair em defesa do correligionário, Aécio, questionado sobre um possível constrangimento ao partido pelas acusações contra Perillo, assumiu que "não é agradável para ninguém quando vê um companheiro seu sofrendo esse tipo de ataque". Mas pediu serenidade e declarou que o goiano merece "crédito" e um "voto de confiança até pela trajetória" que ele tem na legenda. "Vamos dar ao governador Marconi o direito que qualquer cidadão tem de se explicar. Vamos aguardar que ele preste todos os esclarecimentos", disse Aécio.

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A situação de Marconi Perillo ficou ainda mais delicada depois que o jornalista Luiz Carlos Bordoni, responsável pela campanha do atual governador de Goiás, no rádio, nas eleições de 2010, disse em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo" que uma empresa ligada ao esquema de Cachoeira teria sido usada para pagar os serviços de publicidade que ele prestou para a campanha do governador goiano . Segundo Bordoni, o pagamento, feito pela Alberto e Pantoja, empresa fantasma que de acordo com a Polícia Federal era controlada por Cachoeira, foi comandado por Lúcio Fiúza Gouthier, assessor especial de Perillo.

Para o petista Humberto Costa (PE), Bordoni deve ser ouvido o mais rápido possível. "Ele deve conhecer os meandros da campanha do Marconi, as doações, e os fatos que ele revelou comprometem o governador", afirmou o senador.

Na última semana, o pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, o ex-governador José Serra, já havia usado expressão semelhante à utilizada nesta segunda-feira por Aécio ao se referir a Perillo . "O Marconi pediu ao procurador-geral da República (Roberto Gurgel) para investigá-lo e se dispôs a ir à CPI, coisa que os outros governadores não fizeram. Então vamos dar o crédito. Acho que quem faz isso está muito à vontade para poder se defender bem. Vamos aguardar", comentou Serra na ocasião.

O governador de Goiás deve ser ouvido pela CPI do Cachoeira no próximo dia 12, mas tucanos tentam antecipar seu depoimento para evitar que o desgaste se prolongue. Por outro lado, parlamentares petistas pressionam para que Perillo se explique na comissão. 

Aécio também defendeu a celeridade dos trabalhos da CPI para evitar que as investigações se tornem "um instrumento de briga política" com a proximidade das eleições municipais, em outubro. "(A CPI) não pode se resumir em uma briga entre base do governo versus oposição. Ela, para atingir os seus objetivos, tem que investigar todas as relações do contraventor Cachoeira no setor público em todos os níveis, federal, estaduais e municipais, e também com o setor privado, sem preocupação regional, nacional", afirmou. "É isso que esperamos e vamos estar vigilantes para denunciar qualquer tentativa de resumi-la em uma briga entre a maioria governista versus a minoria da oposição", completou o tucano.

Com Agência Estado

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