PSDB e DEM resistem a ‘chapão’ com PSD para Câmara de São Paulo

Pré-candidatura de José Serra (PSDB) tem de administrar resistências internas à coligação proporcional que pode garantir mais vereadores ao partido de Kassab

Fábio Matos e Nara Alves, iG São Paulo |

Detentor do maior arco de alianças entre todos os pré-candidatos à prefeitura de São Paulo a menos de um mês do início das convenções partidárias, o ex-governador José Serra (PSDB) tenta administrar resistências de parte do tucanato em relação a uma possível coligação proporcional com o PSD na Câmara Municipal – o chamado “chapão” – que pode garantir um número maior de vereadores eleitos pelo partido do prefeito Gilberto Kassab.

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Adriana Spaca/Brazil Photo/AE
Aliança do PSDB com o PSD pode dar mais vereadores ao partido de Kassab

Somente durante o mês de maio, Serra angariou apoio formal do PV (no dia 10), do PSD (dia 12) e do DEM (dia 17), e a expectativa da coordenação da pré-campanha do PSDB é de que até a convenção, em 17 de junho, dois partidos que integram a base aliada ao governo da presidenta Dilma Rousseff em nível federal, o PP e o PR, também fechem com o tucano.

Apesar da ampla construção na aliança majoritária,  – que envolve as vagas de vereadores – estão emperradas neste momento.

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A Câmara Municipal de São Paulo tem 55 vagas de vereadores. O cálculo da quantidade dos votos necessários para se eleger varia de acordo com o chamado quociente eleitoral do município, que é obtido por meio da divisão do total de votos válidos (menos os brancos e nulos) – sejam eles nominais ou de legenda – pelo número de vagas da Câmara.

Já a divisão entre as cadeiras disponíveis e os partidos é feita pelo quociente partidário – número resultante da divisão do número de votos válidos sob a mesma legenda ou coligação pelo quociente eleitoral. Nesse caso, a coligação funciona como um único partido: quem tiver mais votos dentro da coligação, está eleito, independentemente da legenda a que pertença. Aí reside a grande preocupação de parte do PSDB.

Tucanos da Executiva Nacional e do Diretório Municipal resistem à ideia de fechar a coligação com os vereadores do PSD na capital paulista, temerosos de que a força da máquina municipal beneficie os kassabistas. Atualmente, o PSD possui a segunda maior bancada da Casa, com 10 vereadores (só atrás do PT, que tem 11). O PSDB, que tinha 13 antes da criação do PSD, hoje conta com 7 vereadores. O DEM não tem nenhum. O receio é de que a legenda de Kassab se transforme em uma "superbancada" na Câmara.

Além disso, há a percepção de que a candidatura Serra terá um elevado índice dos chamados votos de legenda – quando os eleitores votam apenas no número do candidato a prefeito e não no número do vereador. Quando é formada uma coligação proporcional, esses votos de legenda valem igualmente para todos os partidos da aliança.

Alguns tucanos temem o risco de que a coligação só beneficie o PSD, que teria a seu favor a força da máquina da prefeitura e, de quebra, os votos de legenda para o 45. Eles acreditam que a provável grande quantidade de votos de legenda seria suficiente para eleger um bom número de vereadores do partido sem a necessidade da coligação proporcional. “A nossa ideia é marcar a convenção no dia 23 de junho. Estamos conversando com o PSDB. Temos uma boa chapa, com nomes bons, e queremos ver como vamos fazer isso. Não somos só nós que estamos preocupados, o PSDB também está”, admite o presidente estadual do DEM-SP, Jorge Tadeu Mudalen.

Defensor do “chapão”, o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, ex-integrante do DEM e um dos fundadores do PSD, disse que o temor de tucanos e democratas não se justifica. “Quem pensa assim, está pensando nos vereadores, e não no candidato a prefeito. É um pensamento quase pessoal, não partidário”, afirma. “Acho que (a discussão) está postergada. Isso vai se resolver perto das convenções. Ninguém quer atrapalhar a formação do arco de alianças. Só lá na frente é que nós vamos colocar as fichas na mesa.”

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