Eleições 2014 influenciam processo eleitoral em Minas Gerais

Pela candidatura de Aécio à Presidência, PSDB mantém PT na vice. Oito petistas brigam pela vaga com chances assumir o cargo

Denise Motta, iG Minas* |

O cenário em Minas Gerais, não é de hoje, gira em torno da disputa de 2014. Desde a eleição de 2010, tudo vem sendo arquitetado por lideranças políticas mineiras para viabilizar a candidatura à Presidência da República do senador Aécio Neves (PSDB). A base do governador Antonio Anastasia (PSDB) atende a este requisito e o prefeito da capital, Marcio Lacerda (PSB), também abriu espaço ao PSDB na prefeitura, acatando reivindicação dos tucanos para assegurar o apoio ao senador tucano, principal liderança política com poder de influenciar o voto dos mineiros.

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Marcelo Prates/Hoje em Dia/AE
O governador Anastasia e o senador Aécio Neves participam de encontro do PSDB de Minas

A configuração mineira de preparar o terreno para Aécio alçar voos mais altos passa pela sedução do PSB de Lacerda, um dos principais aliados da presidenta Dilma Rousseff (PT). Para não criar empecilho ao namoro com o PSB, os tucanos em Minas mantiveram a mesma distribuição na chapa majoritária, com o PT na vice.

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“Nunca foi nossa prioridade ser vice, mas desejamos um vice que encarne o espírito da aliança. Já tivemos muitos problemas”, disse ao iG o presidente do PSDB mineiro, deputado federal Marcus Pestana, referindo-se ao atual vice de Lacerda, Roberto Carvalho, que rompeu com o prefeito e luta por candidatura própria petista.

Wellington Pedro/Imprensa MG
Aécio é próximo do prefeito Lacerda
Até agora, surgiram oito nomes petistas para ocupar a vaga de candidato a vice na chapa encabeçada por Lacerda, mas especula-se que muitos destes nomes não possuem densidade ou têm intenção real de disputar. Lacerda já manifestou ser a decisão de escolha do vice do PT, mas sinalizou desejar ter um nome sem pretensões eleitorais futuras.

O PT já adiou por cinco vezes o processo de decisão, mas no próximo dia 10 a indefinição deve chegar ao fim, segundo informou o vice-presidente do partido em Minas, deputado federal Miguel Corrêa, ligado ao ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior, Fernando Pimentel. Enquanto o grupo tucano em Minas trabalha por Aécio em 2014, um grupo petista do qual Corrêa faz parte trabalha por Pimentel em 2014, mas no Palácio Tiradentes.

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O prefeito da capital mineira não poderá disputar reeleição em 2016 e é o nome lembrado para a eleição estadual de 2014. Se disputar o Palácio Tiradentes, precisará deixar o cargo, entregando o posto máximo do Executivo da capital ao seu vice.

Peso do vice

O peso de um vice numa chapa em que o cabeça não pode mais disputar a reeleição é muito maior. Foi assim que nomes hoje consolidados no cenário nacional ganharam espaço como o atual prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Assim como em Minas Gerais o prefeito é cotado como candidato ao governo do Estado em 2014, situação similar ocorre também em São Paulo, Pernambuco e Mato Grosso.

Desde que se lançou como pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra garantiu inúmeras vezes que, se eleito, cumprirá seu mandato de quatro anos e não sairá do cargo para concorrer nas eleições de 2014. Por mais que ele reitere o compromisso, no entanto, a dúvida ainda paira entre eleitores e aliados.

A disputa pela vaga de vice de Serra ocorre de forma velada entre DEM, PSD e o próprio PSDB. O secretário Rodrigo Garcia (DEM) é o nome mais provável para subir no palanque ao lado do ex-governador, mas ele e seu partido negam que o apoio ao tucano esteja vinculado à troca. O PSD do atual prefeito Gilberto Kassab também garante que o apoio é incondicional.

Em Cuiabá (MT), o empresário Mauro Mendes (PSB), que pode se candidatar à prefeitura da capital mato-grossense, também tem repetido que pretende governar a cidade até o fim do mandato. Há quatro anos, Mendes foi derrotado na disputa pela administração municipal pelo ex-prefeito Wilson Santos (PSDB), que deixou o cargo para disputar, sem sucesso, o governo do Estado.

Relator do caso Demóstenes no Conselho de Ética, o senador Humberto Costa (PT) está na disputa pela Prefeitura de Recife e, ao mesmo tempo, é cotado para disputar o governo de Pernambuco daqui a dois anos. O próprio governador Eduardo Campos (PSB) vê em Humberto Costa um potencial adversário de sua candidatura à reeleição.

* Colaborou Nara Alves, iG São Paulo

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