Briga pela vice mobiliza aliados de Serra, que esperam decisão doTSE sobre PSD

Entenda o jogo político que envolve os integrantes do arco de alianças em torno do tucano, cuja vaga de vice é cobiçada pelos ‘rivais’ DEM e PSD e até pelo PV

Fábio Matos e Nara Alves, iG São Paulo |

Além das discussões sobre uma possível coligação proporcional com os partidos aliados para a Câmara dos Vereadores, a pré-candidatura do ex-governador José Serra (PSDB) à prefeitura de São Paulo deve ter até o final do mês uma definição importante: quem, afinal, ocupará o posto de vice na chapa do tucano? PSD, DEM e até o PV sonham com essa indicação, e há quem cogite até a possibilidade de uma chapa puro-sangue, 100% tucana, para evitar desgaste entre as legendas que fazem parte da aliança.

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Definição sobre vice na chapa de Serra deverá acontecer na 2ª quinzena de junho

Para fundar o PSD, Kassab atraiu boa parte dos integrantes de outros partidos de oposição ao governo federal, entre eles o DEM e o próprio PSDB. O atual prefeito nunca escondeu seu descontentamento com os rumos tomados pelo DEM desde a campanha eleitoral de 2010 e rompeu com a direção nacional do partido, abrindo caminho para a criação do PSD. Entre os nomes de peso que Kassab levou consigo ao sair da antiga legenda, está o do vice-governador de São Paulo e ex-secretário estadual de Desenvolvimento, Guilherme Afif Domingos.

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Apesar de adotarem publicamente o discurso de que não exigem como pré-condição de apoio a escolha de um nome de suas fileiras para ocupar a vice, os dois partidos esperam emplacar seus indicados: Kassab oferece o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider (PSD), enquanto o postulante do DEM é o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia, que era o pré-candidato do partido à prefeitura antes da decisão de apoiar o tucano. Hoje, Garcia é o nome mais forte para a vaga.

“À medida que nós formamos uma aliança, nos tornamos um só partido. Não cabe colocar desavenças em uma aliança. Se houve desgaste, foi político, não pessoal. Eu mesmo estive presente no ato de apoio do DEM à candidatura do Serra (em 17 de maio)”, lembra Afif. “Nós temos que deixar o candidato absolutamente à vontade para a ampliação do arco de alianças. Ninguém quer monopolizar o candidato. A escolha do vice será uma das últimas coisas a serem decididas e nós não colocaremos nenhuma condicionante na mesa. Esta é mais uma questão de afinidade com o candidato a prefeito do que política.”

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O líder do PSD na Câmara, deputado federal Guilherme Campos (SP), adota o mesmo discurso. “Há muito mais problema do DEM conosco do que de nós com o DEM. A nossa aliança é com o governador Serra, que é quem está na condução desse processo. Temos de construir uma chapa forte, até porque essa eleição vai ser muito disputada, muito dura.”

Além de Schneider e Garcia, há outros nomes cotados para ocupar a vice na chapa do PSDB. No início de maio, durante evento de apoio do PV à pré-candidatura tucana, o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, foi aclamado pela militância de seu partido como a melhor opção para formar chapa com Serra. “Os partidos nacionais têm essa coisa de querer o vice a qualquer preço. Mas ter um vice sem apoio, sem participação, sem poder, como figura meramente decorativa, não nos interessa. Nós estamos interessados em programa de governo”, diz o presidente estadual do PV-SP, Marco Antonio Mroz. “Eu quero ter o vice do governo Serra para participar ativamente do governo. Não como elemento decorativo. Esperamos que isso aconteça. Essas duas forças (PSD e DEM) podem se anular dentro desse processo e eu acho que nós temos, sim, boas chances de indicar o vice.”

A definição sobre o vice na chapa de Serra deverá acontecer somente na segunda quinzena de junho, de acordo com a coordenação da pré-campanha do tucano. Apesar de haver uma corrente que defende uma dobradinha puro-sangue entre Serra e o ex-secretário estadual da Cultura Andrea Matarazzo (que abriu mão de se lançar nas prévias do PSDB para apoiar o ex-governador), a tendência é de que o escolhido seja mesmo do DEM ou do PSD, caso a legenda de Kassab seja bem sucedida em seu pleito de contar com maior tempo de televisão na propaganda eleitoral.

Julgamento no TSE e tempo de TV

Atualmente, o DEM daria a Serra 1 minuto e 41 segundos a cada programa exibido pela TV e veiculado no rádio. Mas o nome de Schneider ganhará força em caso de vitória do PSD em julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que definirá se o partido tem direito ou não a uma cota maior do Fundo Partidário – a sessão foi interrompida em 24 de abril e não tem previsão para ser retomada. Se a legenda tiver êxito nessa investida, terá direito a um tempo maior de televisão e ganhará força na disputa com o DEM pela vice.

Um pedido de vista do ministro José Antônio Dias Toffoli suspendeu a sessão do TSE que analisava o caso do PSD. Na primeira parte do julgamento, a legenda de Kassab levou a melhor por 2 votos a 1. Além da manifestação do relator, o ministro Marcelo Ribeiro, que defendeu em seu voto que o PSD tem direito aos 95% do Fundo Partidário que são distribuídos proporcionalmente entre os partidos políticos de acordo com os votos recebidos por suas bancadas na Câmara dos Deputados nas últimas eleições (em 2010), o PSD contou com o voto favorável do ministro Marco Aurélio Mello. Somente Arnaldo Versiani deu parecer contrário. O Ministério Público Eleitoral, por sua vez, já encaminhou uma orientação contrária ao PSD, entendendo que, como ainda não existia nas eleições de 2010, o partido não teria direito a uma cota maior do Fundo.

O julgamento é determinante para as pretensões do partido de Kassab na eleição de outubro, pois o entendimento do TSE a respeito das cotas do Fundo Partidário cria uma jurisprudência para a definição do tempo a que o PSD terá direito na propaganda eleitoral gratuita na televisão. Segundo levantamento do próprio TSE, os deputados federais eleitos em 2010 e que mais tarde ingressaram no PSD teriam obtido cerca de 5 milhões de votos.

“As discussões têm caminhado. Isso tudo está atrelado ao tempo de TV, que deve ser decidido em julgamento no TSE. Se isso ficar conosco (tempo maior), é claro que a gente ganha força para a indicação do vice. Se não houver essa possibilidade, essa força seria outra”, explica Jorge Tadeu Mudalen, presidente do Diretório Estadual do DEM-SP. Como perdeu parlamentares para o PSD, o DEM, assim como outros partidos, também perderia proporcionalmente parte de seu tempo de televisão caso o TSE dê ganho de causa ao PSD.

“A decisão do partido é de compor a chapa do ex-governador José Serra. A possibilidade de indicação do vice não fez parte do processo de consolidação do nosso apoio. Se o governador Serra achar interessante, que podemos agregar indicando o vice, nós ficaremos muito felizes. E é evidente que o Alexandre Schneider é um excelente nome”, diz Guilherme Campos. “É algo muito lógico (o PSD indicar o vice), até certo ponto previsível. Mas isso depende da construção da aliança.”

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