PT lança Haddad em megaevento com ataques a Serra

Lula participou do evento e classificou o tucano de candidato "desgastado". Para Haddad, "São Paulo cansou de prefeitos de meio expediente"

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O PT lançou a candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo com um megaevento neste sábado em São Paulo. Embora não tenha sido citado nominalmente, o ex-governador José Serra (PSDB) foi alvo de ataques de Haddad e seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , que chamou o tucano de candidato “desgastado”. A declaração faz parte da estratégia de vender Haddad como o “novo” em contraposição ao veterano Serra.

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Fernando Haddad e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o 18º Encontro Municipal do Partido dos Trabalhadores
“Tem um candidato que já está desgastado. Nem sei porque ele quer ser candidato. Utilizou a cidade apenas como trampolim para ser governador. Achou que o governo era pouco, não completou o mandato e tomou uma tunda da companheira Dilma. E está desesperado porque o governador é o maior adversário dele aqui em São Paulo”, disse Lula.

O ex-presidente fez um histórico das vitórias e derrotas do PT na cidade para concluir que o partido não consegue ultrapassar o teto de 35% do eleitorado paulistano. Por isso, segundo Lula, o PT só terá chance de vitória com um nome novo, que consiga dialogar com outros setores.

“O objetivo é falar com os 15% ou 20% que não querem falar com o PT. Na minha opinião não são eleitores de esquerda. Não sei se são de direita. Então você tem a tarefa, Haddad, de juntar os diferentes”, afirmou Lula.

Além do ex-presidente, diversas lideranças petistas como o ex-ministro José Dirceu e quatro ministros (que supriram a ausência de Dilma) participaram do evento.

Sob o comando do publicitário João Santana, foram montados dois telões com mais de 50 metros em cada lado do palanque. Atrás da mesa de autoridades, um display luminoso mostrava a logomarca da campanha, a letra “H” com uma estrela vermelha.

Várias fotos e mensagens traziam símbolos de modernidade como a “#” usada no microblog Twitter. Com um tom emocional, o evento começou com o depoimento de Janaína Cristina, uma jovem ex-sem-teto bolsista do Pro-Uni prestes a se formar em pedagogia “graças ao Lula e ao Haddad”. O jingle, em ritmo de rap, tem como refrão: “Haddad, um nome novo para esta cidade”.

Uma equipe de fotógrafos contratados por R$ 1 mil a jornada de três horas (cinco vezes a média do mercado) fotografava os participantes e mostrava as fotos nos telões em tempo real.

Além do auditório principal, outros três salões foram ocupados pelos militantes que não conseguiram entrar mas acompanharam o evento por telões.

A ausência da ex-prefeita Marta Suplicy, no entanto, quase estragou a festa . Ela disse ao PT que iria mas não apareceu nem deu explicações.

O discurso de Haddad, repleto de frases de efeito “São Paulo quer ser a cidade que não pode parar e não a cidade que não pode se locomover”, foi pautado em três eixos: vinculação com Lula e Dilma, críticas à gestão Kassab e críticas indiretas a Serra.

Lula foi citado nove vezes. Dilma, seis. “Nós, paulistanos, sentimos dentro de casa os efeitos de uma forma humana e competente de governar, impulsionada pelas políticas de Lula e Dilma. E sentimos na rua, no corpo de nossa cidade, os efeitos de uma forma incompetente e insensível de gerir os problemas urbanos”, discursou.

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Fernando Haddad (segundo à esquerda), sua mulher, Ana Estela (e), e o ex-presidente Lula (segundo à direita) e sua mulher Marisa, no evento neste sábado
A gestão Serra/Kassab, foi tratada com palavras fortes. “Ao invés de tratar a cidade como morada, tratou-a como depósito, e apinhou ali os trastes de sua mediocridade”, disse Haddad. “A imagem é forte mas não me ocorre outra”, admitiu antes de continuar com os ataques. “Temos uma prefeitura que despreza os pobres, ignora a classe média e engana os ricos. É o triste democratismo do infortúnio”.
O candidato conseguiu levantar a plateia quanto explorou o fato de Serra ter abandonado a prefeitura com pouco mais de um ano de mandato.

“São Paulo cansou de prefeitos de meio expediente e de prefeitos de meio mandato. Ao contrário de alguns, eu vibro de felicidade só em pensar na possibilidade de ser prefeito da minha querida São Paulo. Não sou alpinista político nem profissional de eleições. Jamais usarei a prefeitura como trampolim ou degrau de interesses pessoais”.

O PT não informou o custo do evento. Questionado, o presidente municipal do partido, Antonio Donato, disse não saber o valor.

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