Marta Suplicy some, irrita Lula e o PT

Rival de Haddad na disputa interna pela vaga petista, senadora confirmou presença no evento e não foi. “Foi uma afronta. Mais uma. A maior e a pior”, disse um vereador

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O tucano José Serra não foi o único alvo das reclamações do ex-presidente  Luiz Inácio Lula da Silva durante o lançamento da candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo neste sábado. Nos camarins Lula fez um desabafo em alto e bom som sobre a ausência da senadora Marta Suplicy, ex-prefeita e adversária de Haddad na disputa interna pela vaga petista na eleição municipal.

O lançamento:  PT lança Haddad em megaevento com ataques a Serra

AE
Ausência de Marta Suplicy em lançamento da candidatura de Haddad foi alvo de muitas crítica no PT

Marta, que tem dado sinais seguidos de rebeldia desde que foi obrigada a abrir mão em nome de Haddad, havia confirmado presença ao presidente do diretório municipal, Antonio Donato, mas não apareceu nem deu explicações.

A expectativa era que Marta brilhasse ao lado de Lula e Haddad dando fim às divergências. Sua gestão foi alvo de elogios de todos os oradores. Ela chegou a ser escalada para falar e foi aguardada até o último momento. Haddad sentiu a ausência. “Fiquei chateado. Todos nós gostaríamos que ela estivesse aqui”, disse ele.

O candidato foi obrigado a mudar o discurso na última hora em função da ausência. No texto original ele diria: “O que significa ser apoiado por Marta Suplicy? Significa ser apoiado por uma prefeita que em pouco tempo tirou São Paulo do caos, reergueu nossa cidade e inaugurou uma nova forma de governar”.
No final acabou dizendo: “o que significa ser apoiado por aqueles presentes e ausentes que participaram da gestão de Marta Suplicy? Significa ser apoiado por uma equipe...”.

Lula não foi o único a ficar irritado. Sob o compromisso de não terem seus nomes publicados, líderes petistas não pouparam críticas à senadora. “Se ela ainda tinha alguma moral no PT perdeu hoje”, disse um deputado. “A participação dela é igual à força que ela tem hoje no PT. Ou seja, nada”, afirmou um prefeito. “O que ela fez hoje foi um ato de traição. Se não queria vir, não deveria ter confirmado presença”, reclamou um dirigente. “Foi uma afronta. Mais uma. A maior e a pior”, disse, exaltado, um vereador.

Nem a senadora nem sua assessoria atenderam ligações hoje. O senador Eduardo Suplicy, ex-marido de Marta, chegou a telefonar de seu próprio celular a pedido de jornalistas mas a chamada caiu na caixa postal. Além disso, Suplicy mandou uma mensagem de texto para a ex-prefeita. “Marta, você está sendo muito aguardada no evento”. Ela não respondeu.

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