CPI deve investigar relação de Pagot com tucanos, diz petista

"Se houve alguma irregularidade é em relação ao Rodoanel de São Paulo", diz o vice-presidente da CPI do Cachoeira, Paulo Teixeira

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O vice-presidente da CPI do Cachoeira, Paulo Teixeira (PT-SP), disse que a comissão vai avaliar a possibilidade de ouvir o ex-diretor do Dnit, Luiz Antonio Pagot. O foco do depoimento, segundo ele, seriam as denúncias de Pagot quanto a supostos desvios de verba da obra do Rodoanel para as campanhas dos tucanos José Serra à presidência e Geraldo Alckmin ao governo paulista em 2010.

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Luiz Pagot, ex-diretor do Dnit
“Ele fala em desvio de dinheiro para três candidatos do PSDB (na verdade Pagot também citou o prefeito Gilberto Kassab , aliado de Serra, mas que pertence ao PSD). Isso é gravíssimo”, disse Teixeira.

“Se houve alguma irregularidade é em relação ao Rodoanel de São Paulo. Pagot não fala em nenhum procedimento irregular do PT. Se ele pediu a alguma empresa que doasse ao PT não cita irregularidade em obras. Se houve contribuição (à campanha de Dilma Rousseff ) foi formalizada”, disse o vice-presidente da CPI.

Neste sábado, o deputado José de Filipi Jr., ex-tesoureiro das campanhas de Lula em 2006 e Dilma em 2010, negou que tenha pressionado Pagot para conseguir doações de empreiteiras que prestam serviço ao departamento.

“Tivemos oito ou nove doações relevantes de empreiteiras. Eu já conhecia todas da campanha de 2006 (quando também foi tesoureiro). Não precisava da ajuda dele”, disse o deputado.

Filipi admitiu ter se encontrado três vezes com Pagot. A primeira no início da campanha, quando o ex-diretor do Dnit teria oferecido os três aviões do senador Blairo Maggi (PR-MT) que acabaram não sendo usados.

A segunda foi em novembro de 2010, quando Pagot teria conseguido uma doação de R$ 1 milhão de Maggi para pagar dívidas de campanha de Dilma. A terceira, em março de 2011, já como deputado.
Segundo Filipi, Pagot foi reabilitado pelas conversas grampeadas do bicheiro Carlinhos Cachoeira, nas quais o contraventor comemora a saída do ex-diretor graças a reportagens publicadas na revista Veja.
“Sempre que tem um grampo a pessoa se preocupa. Com o Pagot foi o contrário. Através da gravação ele foi reabilitado”, disse Filipi.

A direção nacional do PT não se manifestou sobre as entrevistas de Pagot. A avaliação do partido é que as revelações causam mais estragos ao PSDB do que ao PT. A estratégia do partido será tratar o assunto no âmbito da CPI do Cachoeira.

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