Receita foi 'míope' ao não flagrar Cachoeira, diz Pedro Simon

Senador do PMDB também afirma que ações do bicheiro não teriam prosperado se esquema Waldomiro Diniz, revelado em 2004, tivesse punição aos envolvidos

iG São Paulo |

Em discurso na tribuna do Senado nesta sexta-feira, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou que as ações do contraventor Carlinhos Cachoeira não teriam prosperado se tivessem sido punidos os responsáveis pelo esquema de pagamento de propina revelado em 2004, por meio de conversa gravada entre o contraventor e Waldomiro Diniz, então assessor da Casa Civil.

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"As proezas do senhor Cachoeira vêm de longe e, se tivessem sido tomadas as providências, desde o episódio do grampo de propina com Waldomiro Diniz, a crise não teria chegado aonde chegou", disse o parlamentar, que faz parte da chamada ala independente do PMDB. 

O senador questionou o fato de o aparato de fiscalização da Receita Federal, “um dos mais sofisticados do planeta”, não conseguir identificar negociações ilícitas envolvendo grandes empresas, como as que estão sendo agora investigadas pelo Congresso por meio da CPI do Cachoeira. 

"Por que figuras como o senhor Cachoeira e tantos outros, alguns deles bastante conhecidos, passam ilesos a tanta sofisticação tecnológica, ainda que ostentem padrões de vida incompatível com seus alegados rendimentos? Por que para esses a Receita é míope?", questionou Simon. 

O senador gaúcho também fez um paralelo entre o esquema de Carlinhos Cachoeira e o caso do mensalão, questionando as motivações para o encontro entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, ocorrido em abril, no escritório do ministro aposentado do STF e ex-ministro da Defesa Nelson Jobim.

Segundo disse o próprio Mendes, o ex-presidente teria o pressionado para que o julgamento do mensalão não acontecesse ainda este ano. Lula e Jobim negaram essa versão. 

"Até um estudante de Direito saberia que a protelação do julgamento só interessa a quem aposta na prescrição dos crimes que são imputados aos réus. A inconveniência de julgar já tem a ver com a conveniência em ver prescrever os delitos. Nada mais", afirmou Simon. 

Com Agência Senado 

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