Em mais uma sessão marcada por bate-boca entre parlamentares, comissão adia discussão sobre quebra dos sigilos do governador de Goiás

Em uma sessão tensa no início da tarde desta quarta-feira, a CPI que investiga as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Ramos, com autoridades, políticos e empresários, os parlamentares adiaram a decisão sobre requerimentos que pedem a quebra do sigilo telefônico e de SMS (mensagens de texto) do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e dos deputados Sandes Júnior (PP-GO), Stepan Nercessian (PPS-RJ) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), acusados de envolvimento com o bicheiro.

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Na presidência da sessão, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), eleito na última terça-feira vice-presidente da CPI, informou que, com a retirada de pauta, a votação dos requerimentos fica adiada.

Em um dos requerimentos, que foi apresentado pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), era solicitada apenas a quebra do sigilo do governador tucano, mas o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) propôs que fosse votada de forma extensiva a quebra dos demais governadores. “Não há como admitir a exclusão de alguns, a seleção de alvos, dois pesos e duas medidas”, afirmou o senador.

Já o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), defendeu a quebra do sigilo de Perillo exclusivamente. “Há indícios contundentes que justificam a quebra do governador Marconi Perillo. Não descarto quebra de outros governadores, mas neste momento não é possível encaminhar favoravelmente”, afirmou o petista.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), por sua vez, questionou a necessidade e a legalidade de quebrar os sigilos de governadores neste momento. “Não há fundamentação jurídica para quebrar sigilo nesse momento da investigação. A medida é de exceção, que só pode ser concebida quando outro meio de prova não puder dar resposta. Não há pertinência para quebra de sigilo”, disse.

Marconi Perillo chegou a ir ao plenário da comissão na última terça e se ofereceu para depor, mas não conseguiu falar aos parlamentares. O governador afirmou que não há nenhum envolvimento de Cachoeira ou de sua organização no governo do Estado, que tomou todas as medidas necessárias para combater os jogos clandestinos e que os contratos da Delta com o Estado são “pequenos”.

Ainda na sessão desta quarta, a CPI do Cachoeira aprovou, por unanimidade, requerimento que pede a quebra dos sigilos do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de envolvimento com Cachoeira, e também um pedido ao Coaf para que repasse à comissão informações sobre movimentações financeiras atípicas de Cachoeira.

Com Agências Câmara e Senado

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