Procurador acusa Thomaz Bastos de lavagem de dinheiro e receptação

Pastana questiona o fato de Cachoeira pagar R$ 15 milhões em honorários advocatícios a Thomaz Bastos embora esteja com os bens bloqueados pela Justiça

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O procurador regional da república no Rio Grande do Sul Manoel Pastana deve apresentar ainda nesta terça-feira uma representação contra o ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos por supostos crimes de lavagem de dinheiro e receptação ao fazer a defesa do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

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Pastana questiona o fato de Cachoeira pagar R$ 15 milhões em honorários advocatícios a Thomaz Bastos embora esteja com os bens bloqueados pela Justiça. O ex-ministro evitou comentar o assunto, mas não escondeu a irritação com o caso. “É tão ridículo que nem vale comentar. Vou emitir uma nota”, disse Thomaz Bastos.

O paraense Pastana, ganhou manchetes no ano passado ao ingressar com uma ação civil pública na qual tenta incluir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem comparou com o rei francês Luís XIV (autor da frase “o Estado sou eu”), entre os réus do mensalão.

Segundo o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, tanto a ação contra Lula quanto a representação contra Thomaz Bastos são iniciativas pessoais de Pastana que não estão ligadas à atuação dele como procurador regional.

Na representação contra o ex-ministro da Justiça, o procurador argumenta que Thomaz Bastos estaria incidindo nos crimes de lavagem de dinheiro e receptação criminosa ao receber dinheiro de Cachoeira, supostamente originário de atividades criminosas. A representação será protocolada junto à Procuradoria da República em Goiás, onde tramitam os processos contra o bicheiro. Segundo Pastana, o objetivo é provocar o MPF a investigar se a origem do dinheiro usado para o pagamento dos honorários é lícita.

“Deixar o doutor Bastos receber os recursos de alguém que está sendo investigado por vários ilícitos, que dão ensejo ao crime de lavagem de dinheiro, sem que nada seja feito, estar-se-á permitindo, em tese, que Cachoeira tire proveito do produto do crime, e os recursos sujos ingressem no patrimônio do representado e passem a circular como capitais limpos”, disse o procurador em e-mail enviado na tarde desta terça-feira.

Thomaz Bastos vem sendo alvo de ataques e questionamentos desde a semana passada, quando apareceu sorrindo ao lado de Cachoeira na sessão da CPI que investiga o bicheiro. Foi ele quem orientou Cachoeira a usar o direito constitucional de permanecer calado durante o depoimento.

No domingo, o presidente da OAB-SP, Luiz D’Urso, chegou a divulgar uma nota em defesa do ex-ministro e do direito de todo réu à defesa.

Nesta terça, a Folha de S. Paulo publicou um artigo no qual o advogado defende a si mesmo ao exercício de sua profissão. Em nota divulgada no final da tarde, Thomaz Bastos diz que em quase 60 anos de advocacia nunca se defrontou com uma atitude como a de Pastana.

“Trata-se de retrocesso autoritário incompatível com a história democrática do Ministério Público. Esse procurador confunde deliberadamente o réu e o advogado responsável por sua defesa, abusando do direito de ação”, diz o texto.

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