Outros dois depoentes fizeram o mesmo; Lenine Araújo de Souza, acusado de ser contador da organização, diz que 'não se considera braço direito de Cachoeira

O ex-diretor da regional Centro-Oeste da empresa Delta Construções Cláudio Abreu foi dispensado da sessão da CPI do Cachoeira nesta quarta-feira, realizada no Congresso Nacional. Ele, assim como fez na semana passada Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, usou seu direito constitucional de permanecer em silêncio.

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Preso pela Polícia Federal (PF) em abril, na Operação Saint-Michel, ele é investigado como o principal operador de Cachoeira. Abreu e todos os outros três indiciados que compareceram hoje na sessão da CPI, - Lenine Araújo de Souza, Gleyb Ferreira da Cruz e José Olímpio de Queiroga Neto - acusados de ligação com Cachoeira, conseguiram liminar em habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) para que pudessem permanecer em silêncio.

Por conta disso, Gleyb Ferreira da Cruz, o primeiro a se apresentar na sessão, foi dispensado pela presidente da comissão, Vital do Rêgo (PMDB).

Apesar da liminar do STF, Lenine Araújo de Souza, apontado como contador da organização criminosa, fez um curto depoimento. Durante sua fala, destacou que passou 15 dias em cela isolada durante sua prisão em Mossoró, sem acesso a visitas. "(O psicólogo) disse que eu não tinha perfil para estar naquele presídio", disse. "Nunca fui preso, nunca fui algemado. Isso causou profundos problemas psicológicos a mim e a minha esposa."

Ele afirmou ser um empresário em Brasília, que tem todos os bens declarados no imposto de renda. "Eu não sou sócio a nenhuma empresa que está ligada a essas que estão aparecendo", disse. "Eu não me considero braço direito do senhor Carlos, como me denunciaram, e me sinto injustiçado."

Após sua apresentação, Lenine explicou que não responderia a nenhuma das perguntas dos parlamentares, porque, na sexta-feira comparecerá em audiência para se defender na sexta-feira diante de juiz federal. Mas se ofereceu a retornar à CPI após a audiência para prestar esclarecimentos.

A CPI aprovou o adiamento do depoimento do ex-presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Eduardo Rincón, que seria ouvido como testemunha. Jayme, citado nas investigações, enviou documento à CPI em que alega não poder comparecer em razão de motivos de saúde.

Também foi adiado o depoimento de Rodrigo Moral Dall Agnol, contador da Delta. Ele foi convocado na condição de testemunha.

Liminar do STF

As liminares concedidas pelo Supremo, que garantiu aos depoentes o direito de permanecer calado, foi motivo de debate entre os parlamentares.

"Estou muito abastado com essa ordem de habeas corpus. Isso (a CPI) não é palco de exibicionismo de ninguém, nem de réu, nem de deputado, nem de ministro do Supremo Tribunal Federal", afirmou o deputado federal Miro Teixeira.

O senador Alvaro Dias (PSDB) discordou e disse que esse é um procedimento comum do STF. "O que ocorre nessa CPI é o que ocorre em todas as outras. Não vejo diferença das decisões tomadas pelos ministros (do STF) na CPI do Cachoeira com outras as CPIs".

Perillo

Na reunião de hoje, também pode ser votado o requerimento de quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). O pedido estava na pauta da reunião de ontem, mas não foi votado.

Questionado sobre a quebra de sigilo dos outros governadores, o relator Odair Cunha (PT-MG) disse que é preciso “individualizar” a investigação e começar por Perillo, que tem mais indícios de envolvimento com a organização de Carlinhos Cachoeira.

“A organização criminosa atuou a partir de uma base territorial muito específica, com agentes públicos específicos, e isso tem a ver com o governo de Goiás, com o governo do Distrito Federal. Nós vamos a cada tempo produzindo uma investigação que compreenda bem as pessoas que têm prerrogativa de foro e foram cooptadas pela organização”, disse.

Marconi Perillo chegou a ir ao plenário da comissão ontem e se ofereceu para depor, mas não conseguiu falar aos parlamentares. O governador afirmou que não há nenhum envolvimento de Cachoeira ou de sua organização no governo do Estado, que tomou todas as medidas necessárias para combater os jogos clandestinos e que os contratos da Delta com o Estado são “pequenos”.

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