CPI tenta ouvir ex-diretor da Delta e vota quebra de sigilo de Perillo

Gleyb Ferreira da Cruz, um dos outros depoentes, usou seu direito de permanecer calado e foi dispensado

iG São Paulo |

O ex-diretor da regional Centro-Oeste da Delta Construções Cláudio Abreu comparece nesta quarta-feira à CPI do Cachoeira . Preso pela Polícia Federal (PF) em abril, na Operação Saint-Michel, ele é investigado como o principal operador de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Também estão marcados outros quatro depoimentos de acusados de fazer parte do grupo de Cachoeira. O primeiro a comparecer à sessão, Gleyb Ferreira da Cruz, usou seu direito constitucional de ficar em silêncio, e foi dispensado pelo presidente da CPI, Vital do Rêgo.

Acompanhe ao vivo a CPI do Cachoeira

A liminar em habeas corpus, concedida pelo ministro do STF Dias Toffoli e que garantiu a Cruz o direuti de permanecer calado, foi motivo de críticas por parte dos parlamentares, que consideraram a medida uma demasia.

"Estou muito abastado com essa ordem de habeas corpus. Isso (a CPI) não é palco de exibicionismo de ninguém, nem de réu, nem de deputado, nem de ministro do Supremo Tribunal Federal", afirmou o deputado federal Miro Teixeira.

Os advogados de Claudio Abreu também obtiveram no STF autorização para que ele permaneça em silêncio para não se incriminar

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), tem argumentado que a comissão conta com outros meios de investigação e não depende apenas dos depoimentos. Para o relator, é preciso analisar os documentos das investigações da PF recebidos pela comissão e as informações obtidas com a quebra dos sigilos fiscais, telefônicos e bancários de acusados. Ontem, a CPI aprovou a quebra do sigilo da Delta .

Perillo

Na reunião de hoje, também pode ser votado o requerimento de quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). O pedido estava na pauta da reunião de ontem, mas não foi votado.

Questionado sobre a quebra de sigilo dos outros governadores, Cunha disse que é preciso “individualizar” a investigação e começar por Perillo, que tem mais indícios de envolvimento com a organização de Carlinhos Cachoeira.

“A organização criminosa atuou a partir de uma base territorial muito específica, com agentes públicos específicos, e isso tem a ver com o governo de Goiás, com o governo do Distrito Federal. Nós vamos a cada tempo produzindo uma investigação que compreenda bem as pessoas que têm prerrogativa de foro e foram cooptadas pela organização”, disse.

Marconi Perillo chegou a ir ao plenário da comissão ontem e se ofereceu para depor, mas não conseguiu falar aos parlamentares. O governador afirmou que não há nenhum envolvimento de Cachoeira ou de sua organização no governo do Estado, que tomou todas as medidas necessárias para combater os jogos clandestinos e que os contratos da Delta com o Estado são “pequenos”.

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