Cachoeira completa três meses preso e deve voltar à CPI. Veja o antes e o depois

Acusado de corrupção e de chefiar esquema de jogo ilegal, bicheiro está preso desde 29 de fevereiro e é alvo de dois inquéritos e uma CPI

iG São Paulo |

Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , completa nesta terça-feira três meses na prisão acusado de chefiar um esquema de corrupção e de operar uma rede de negócios que envolve jogos ilegais, como máquinas de caça-níquel. Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro e é alvo de dois inquéritos e de uma CPI no Congresso. Os parlamentares investigam o elo dos negócios do bicheiro com políticos e autoridades. 

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Não é a primeira vez que Cachoeira faz barulho em Brasília. Em 2004, ficou conhecido por ser o protagonista do primeiro escândalo político que marcou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva . Na época, a crise foi aberta pela divulgação de uma gravação em que o então subchefe da Casa Civil para Assuntos Parlamentares, Waldomiro Diniz, negocia com Cachoeira o recebimento de dinheiro do jogo do bicho. Waldomiro era homem de confiança do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que acabou caindo mais tarde em meio às denúncias do mensalão.

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Suspeito de vários crimes, entre eles lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva, Cachoeira, segundo interceptações telefônicas feitas pela PF, tinha ligações com diversos políticos de Goiás, entre eles o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). O senador é alvo de processo por quebra de decoro no Conselho de Ética , acusado de colocar o mandato a serviço do bicheiro.

Convocado a depor à CPI que leva seu nome, Cachoeira se negou a responder às perguntas e apenas repetiu as mesmas frases: “Não vou falar nada”, “Vou usar o direito constitucional de ficar calado”, “Vou ficar calado”, “Não vou responder”. Mas deve voltar a depor à CPI depois de prestar esclarecimentos à Justiça. O bicheiro afirmou na ocasião que, se convocado após audiência em Goiás, irá responder aos questionamentos.

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As denúncias contra Cachoeira e os grampos da PF também citam dois governadores: Marconi Perillo (GO) e Agnelo Queiroz (DF). Perillo (PSDB-GO) viu a sua situação se complicar quando sua secretária de gabiente, Eliane Gonçalves Pinheiro , e o ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Edivaldo Cardoso, foram citados nas investigações da PF. Perillo nega qualquer envolvimento, mas ainda precisa explicar a venda da casa onde Cachoeira foi preso .

Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, teria pedido um encontro com o Cachoeira . O petista é citado como "zero um" nas gravações e os negócios no DF envolveriam pagamentos de Agnelo a empresas do esquema, como a Delta Construções, e nomeações para cargos da administração. A Delta nega irregularidades, mas acabou sendo vendida em meio a denúncias .

Já o governador do Rio, Sérgio Cabral, embora não seja citado nas gravações, pode ser convocado à CPI não pelas relações com Cachoeira, mas pela amizade com o ex-dono da construtora Delta Fernando Cavendish , que tinha contratos também com o governo do Rio. Cabral aparece em várias fotos numa viagem a Paris com secretários e Cavendish. As três convocações também devem ser decididas esta semana.

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