Pré-candidato do PSDB falou sobre encontro de Lula e Mendes em jantar do partido para arrecadar fundos para a campanha

Em um jantar organizado pelo diretório paulista do PSDB para a arrecadação de fundos à pré-campanha do ex-governador José Serra à Prefeitura de São Paulo, realizado na noite desta segunda-feira, no Buffet Baiúca, no bairro de Higienópolis (zona oeste da capital), as principais lideranças tucanas condenaram a suposta pressão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes para que o julgamento do mensalão não aconteça ainda este ano . Reportagem publicada na edição desta semana da revista Veja traz declarações de Mendes dando conta de uma suposta pressão de Lula durante uma conversa entre os dois no dia 26 de abril, no escritório do ex-ministro do STF e ex-ministro da Defesa Nelson Jobim.

Negativa: Em nota, Lula confirma encontro com Mendes, mas nega interferência no STF

Questionado, logo após discursar para os militantes do PSDB, sobre o episódio envolvendo Lula e Mendes, Serra evitou citar nominalmente o ex-presidente, mas foi enfático na crítica a qualquer interferência sobre o Poder Judiciário. “Qualquer pressão ou interferência é indevida. Eu não acredito, inclusive, que mude a orientação do STF, mas é indevida qualquer ingerência de qualquer tipo de quem quer que seja”, afirmou o ex-governador paulista. “O mensalão é uma coisa muito importante. Eu não estou fazendo nenhum juízo de valor, mas é muito importante que seja julgado, e eu tenho certeza de que o STF o fará, de maneira isenta e seguindo os critérios das leis da Constituição.”

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O governador Geraldo Alckmin, também demonstrou certa cautela ao comentar o encontro entre Lula e Mendes no escritório de Nelson Jobim. Mas defendeu a independência entre os Poderes da República. “Vamos aguardar as pessoas se manifestarem, o próprio ex-presidente Lula”, disse Alckmin. “Os Poderes devem ser harmônicos, mas independentes. Montesquieu (político, filósofo e escritor francês, 1689-1755) já defendia a tripartição dos Poderes, a independência entre eles.”

Outros tucanos

Sobre o caso, o ex-governador paulista Alberto Goldman foi mais contundente do que Serra e Alckmin nas críticas ao ex-presidente Lula. À reportagem do iG , o tucano chegou a comparar o comportamento do petista ao do ex-presidente e atual senador pelo PTB de Alagoas, Fernando Collor de Mello. “É um dos fatos mais graves da história política do Brasil. A falta de compostura do ex-presidente Lula está em um nível semelhante à falta de compostura do ex-presidente Collor em determinados momentos da história recente. É quase uma ameaça ao processo democrático”, afirmou Goldman.

“O Judiciário tem que ficar imune às pressões de qualquer ordem. É um fato gravíssimo. Isso merece um processo de ordem criminal”, prosseguiu o ex-vice-governador. Perguntado sobre a nota do ex-presidente Lula em que rebate qualquer pressão sobre o ministro , Goldman questiona. “Estavam fazendo o quê lá? Trocando figurinhas, conversando sobre o tempo? O Gilmar não tem nenhuma intenção pessoal ou política em expor uma situação dessas”, disse o tucano.

O ex-secretário municipal de Cultura Andrea Matarazzo que abriu mão de sua pré-candidatura nas prévias do PSDB à prefeitura para apoiar Serra, também falou sobre o episódio envolvendo Lula e Gilmar Mendes. “Acho que, se for como está relatado lá (na revista Veja), e acredito que seja, é uma coisa que vai contra os princípios democráticos e republicanos”, afirmou ao iG.

Também ao iG , o deputado federal Duarte Nogueira (SP), ex-líder do PSDB na Câmara, qualificou a notícia sobre a conversa entre Lula e Mendes como “chocante”. “A informação é chocante. Um ex-presidente da República interceder, na obstrução da Justiça, seja por qualquer razão, já é algo gravíssimo. O presidente Lula deve explicações ao povo brasileiro”, afirmou.

Cada convite para o jantar organizado pelo PSDB esta noite custou R$ 1 mil, e a expectativa era de que cerca de 250 a 300 pessoas participassem do encontro. Além de Serra, Alckmin, Matarazzo, Nogueira e Goldman, também estiveram presentes o secretário estadual de Energia de São Paulo, José Aníbal, pré-candidato derrotado por Serra nas prévias do partido; o presidente estadual do PSDB-SP, Pedro Tobias; o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Barros Munhoz; o deputado estadual Orlando Morando; o deputado federal Wanderlei Macris, entre outras lideranças tucanas no Estado.

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