OAB cobra explicação de Lula sobre encontro com ministro do STF

Revista diz que ex-presidente tentou pressionar Gilmar Mendes para adiar julgamento do mensalão. Em nota, órgão defende STF independente

iG São Paulo |

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) cobrou nesta segunda-feira explicações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o encontro que ele teve com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. Segundo a revista Veja desta semana, Mendes teria sido pressionado por Lula para adiar o julgamento do mensalão. O órgão defende ainda a independência do STF.

Revista: Lula teria procurado ministro do STF para adiar mensalão

Em nota, a OAB afirma que o STF “deve se manter imune a qualquer tipo de pressão ou ingerência. Ainda que o processo de nomeação de seus membros decorra de uma escolha pessoal do presidente da República, não cabe a este tratá-los como sendo de sua cota pessoal, exigindo proteção ou tratamento privilegiado”. E chama qualquer tentativa de pressionar o STF de “desonroso, vergonhoso e inaceitável”.

Ainda de acordo com a revista semanal, Lula teria proposto a Mendes blindagem na CPI do Cachoeira . O encontro teria ocorrido há um mês no escritório do ex-ministro de Lula Nelson Jobim. De acordo com a revista, o ex-presidente teria dito que julgar o processo do mensalão em ano eleitoral era inconveniente e fez referências a uma viagem a Berlim em que Mendes se encontrou com o senador Demóstenes Torres, alvo de investigação da CPI .

Leia também: 'Julgamento do mensalão terá sessões especiais', diz Ayres Britto

A OAB quer explicações de Lula sobre o episódio. “A ser confirmado o teor das conversas mantidas com um ministro titular do Supremo, configura-se de extrema gravidade, devendo o ex-presidente, cuja autoridade e prestígio lhe conferem responsabilidade pública, dar explicações para este gesto”.

Sobre o episódio, o ministro do STF Marco Aurélio Mello afirmou ao iG que o país “vive tempos muito estranhos” . “O melhor enfoque foi do próprio ministro Gilmar Mendes, que se diz perplexo. Agora revela que vivenciamos tempos muito estranhos”, disse o ministro Marco Aurélio de Mello sobre o encontro de Lula e Mendes. “Imagina que se nesse patamar (no Supremo) nós constamos fatos dessa natureza, o que se dirá na primeira instância? E aí é impensável”, complementou.

O julgamento dos 38 réus do escândalo que marcou a maior crise política do governo do ex-presidente deve ser iniciado nos próximos dois meses.

    Leia tudo sobre: cpi do cachoeiramensalãolulagilmar mendesoabstf

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG