Na terça-feira, senador dará explicações ao Conselho de Ética. Na quinta, é aguardado na CPI. Ex-diretor é esperado na quarta

A CPI do Cachoeira tentará ouvir na próxima quarta-feira o ex-diretor da empresa Delta no Centro-Oeste Cláudio Abreu, preso pela Polícia Federal em abril na Operação Saint-Michel. Ele é investigado por supostamente ser o principal operador do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

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Os advogados de Cláudio Abreu conseguiram da ministra Carmem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), o reconhecimento do seu direito de permanecer em silêncio para não se incriminar e de ser acompanhado por seu advogado. Na semana passada, tanto Cachoeira quanto três dos acusados de assessorá-lo em atividades ilícitas se mantiveram em silêncio diante dos questionamentos dos parlamentares.

Também estão marcados para quarta-feira os depoimentos de José Olímpio de Queiroga Neto, Gleyb Ferreira da Cruz, Lenine Araújo de Souza e Jayme Eduardo Rincón, ligadas ao esquema de Cachoeira.

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Demóstenes Torres

Na quinta-feira, será a vez do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Ele é acusado de usar o cargo para favorecer as atividades do contraventor. A expectativa é de que ele repita o que disse em discurso no dia 6 de março, quando negou conhecer os negócios do bicheiro ou que tenha atuado em seu favor no Congresso.

Antes de depor na CPI, Demóstenes é aguardado no Conselho de Ética do Senado na terça-feira. O senador vai procurar responder todas as perguntas sobre sua ligação com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Caso seja decidido que Demóstenes quebrou decoro parlamentar em sua relação com o bicheiro, a punição prevista é a cassação do mandato de senador.

No último dia 23 de maio, Demóstenes é visto sozinho no plenário do Senado
André Dusek/AE
No último dia 23 de maio, Demóstenes é visto sozinho no plenário do Senado

Governadores

Poderão ser votados na terça-feira os pedidos de convocação dos governadores Marconi Perillo (Goiás), Agnelo Queiroz (Distrito Federal) e Sérgio Cabral (Rio de Janeiro).

Também na terça-feira, a CPMI poderá pedir novos documentos, se aprovar os pedidos de quebra de sigilo da empreiteira Delta nacional. A comissão já aprovou a quebra do sigilo fiscal da Delta Centro-Oeste.

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Documentos

O relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que a comissão conta com outros instrumentos de investigação e não depende apenas de depoimentos. Para o relator, é preciso se debruçar sobre os documentos das investigações da Polícia Federal já recebidos pela comissão e sobre informações decorrentes dos pedidos de quebra dos sigilos fiscais, telefônicos e bancários dos acusados de participar da organização criminosa.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) concorda com o relator. “Nós temos que trabalhar muito mais com as informações que já temos do que com depoimentos de incriminados. Eles não vão colaborar com o País nem com a CPMI, mas isso não vai atrapalhar o trabalho", afirmou.

Carlinhos Cachoeira toma café durante sessão da CPI, em 22 de maio
AE
Carlinhos Cachoeira toma café durante sessão da CPI, em 22 de maio

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