CPI adia votação de quebra do sigilo da Delta e convocação de governadores

Parlamentares fazem acordo para que requerimentos sejam analisados em reunião na próxima terça-feira; sessão termina com bate-boca

iG São Paulo |

A reunião desta quinta-feira da CPI do Cachoeira decidiu adiar para a próxima terça, dia 29, a discussão sobre os requerimentos para a quebra dos sigilos da Delta nacional e a convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). A comissão investiga as relações do grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira com autoridades, políticos e empresários. Após um acordo entre as lideranças, o requerimento de autoria do senador Pedro Taques (PDT-MT) foi rejeitado, e a reunião administrativa foi marcada para o dia 29, às 14h.

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No momento em que o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), consultava os membros da comissão para saber se a votação dos requerimentos seria realizada ainda nesta quinta-feira ou apenas na próxima terça, houve bate-boca e muita discussão. Parlamentares do PT e do PSDB votaram pela reunião administrativa no dia 29, sob fortes críticas de representantes de outros partidos, como o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Kátia Abreu (PSD-TO) e os deputados Rubens Bueno (PPS-PR), Miro Teixeira (PDT-RJ) e Sílvio Costa (PTB-PE), que queriam uma definição para essas questões ainda nesta quinta.

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“Tem um acordo, sim do PSDB com o PT. Sou líder do meu partido aqui e não participei de nenhum acordo. Para mim, não tem diferença de fazer a reunião hoje ou terça. Acho que votar terça é só esticar o desgaste dessa CPI”, atacou o petebista Sílvio Costa, integrante da base aliada. Um dos membros da oposição, Rubens Bueno, do PPS, criticou a existência de uma “bancada da Delta” na comissão.

O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) defendeu que a votação dos requerimentos para a quebra dos sigilos da Delta e a convocação dos três governadores fosse realizada apenas em sessão da CPI programada para o dia 5 de junho.

Apesar de ter acompanhado a maioria e defendido a reunião administrativa na próxima terça-feira, o líder do PSDB na Câmara, deputado Bruno Araújo (PE), adotou um discurso crítico ao PT no final de seu pronunciamento e atacou o suposto controle da base do governo sobre a comissão. “Essa CPI nasceu do desejo político do PT de atingir as minorias”, afirmou. “Nós vamos na terça-feira para a sessão administrativa. Queremos que essa comissão aja com absoluta isenção.”

Nesta quinta-feira, a CPI do Cachoeira tentou ouvir os depoimentos dos acusados Idalberto Matias Araújo, o Dadá, e Jairo Martins de Souza, mas ambos afirmaram que usariam o direito constitucional de ficar em silêncio e não responder a nenhum questionamento dos parlamentares.

Antes, foi ouvido o ex-vereador pelo PSDB Wladimir Garcez, apontado como um dos elos entre o grupo de Carlinhos Cachoeira e agentes públicos. Durante seu depoimento de 20 minutos, o ex-vereador negou que fosse criminoso ou que estivesse envolvido nos negócios ilícitos. Ele afirmou também ser amigo de diversas autoridades como o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; o governador de Goiás, Marconi Perillo; o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia; e até o ex-governador de São Paulo, Mário Covas, já falecido.

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