Vaccarezza explicará na CPI mensagem para Cabral, diz petista

Após reunião da bancada, Paulo Teixeira afirma que ex-líder do governo se antecipará a questionamentos em sessão com Cachoeira

Fred Raposo, iG Brasília |

AE
Vaccarezza nega ser alvo do chamado "fogo amigo" dentro do PT
O deputado e ex-líder do PT na Câmara Paulo Teixeira (SP) disse ao iG que seu correligionário Cândido Vaccarezza (PT-SP) se antecipará a possíveis questionamentos na sessão de hoje da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira e explicará a troca de mensagens com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).

Ex-líder do governo na Câmara, Vaccarezza foi flagrado na sessão da última quinta-feira enviando torpedo no celular para Cabral , em meio à votação de requerimentos de convocação, que sugeriria uma estratégia de “blindagem” ao governador. “A relação com o PMDB vai azedar na CPI, mas não se preocupe, você é ´nosso´ e nós somos ´teu’”, dizia a mensagem.

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O flagrante gerou críticas a Vaccarezza dentro do partido , e chegou-se a comentar nos bastidores que os próprios petistas teriam pedido a substituição do parlamentar na CPI. Após reunião da bancada na noite de ontem no Senado, onde Vaccarezza teria se explicado ao colegas, a permanência do ex-líder do governo na comissão passou a ser dada como certa.

“O Vaccarezza trouxe os argumentos dele. Para nós está tudo explicado”, afirmou Teixeira. “Ele disse que (o torpedo) foi um diálogo dentro de um contexto maior de uma conversa com o Cabral, que a frase foi pinçada fora de contexto. Mas amanhã (hoje) ele vai se antecipar e explicar melhor”.

Teixeira negou, contudo, que a troca de mensagens entre Cabral e Vaccarezza faria parte de um acordo para “blindar” governadores da base e da oposição de serem convocados a depor na CPI. “Não teve acordo nenhum. Isso foi uma invenção da imprensa”, reforçou o deputado. Além de Cabral, os governadores Agnelo Queiroz (PT) e Marconi Perillo estão na mira da comissão.

Outro petista que participou da reunião disse, sob a condição de anonimato, que Vaccarezza fez um mea culpa junto à bancada e admitiu que a troca de mensagens com Cabral foi um “equívoco”. “Ele deixou claro que não deveria ter feito aquilo”, assinalou o parlamentar do alto escalão petista.

O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (PT-SP), disse não ter sido procurado por correligionários para tirar Vaccarezza da CPI. “Isso é página virada. Não vamos perder tempo com isso”, acrescentou. Procurado, Vaccarezza também negou ser alvo do chamado “fogo amigo” e disse que sequer abordou o assunto com os colegas. “Não houve qualquer pedido para que eu deixe a CPI, que eu saiba”, completou.

Petistas miram Perillo

Tatto afirmou ainda que vai propor que o partido apresente, na reunião administrativa da CPI do próximo dia 5, um requerimento para convocar Perillo a prestar esclarecimentos sobre sua relação com Cachoeira. “Contra o Cabral não tem nada. Mas o Perillo tem motivo para ser ouvido pela comissão. Tem gravações que dizem que ele recebeu dinheiro do Cachoeira, que ele comprou uma casa para o governador”, ressaltou.

Na sessão desta tarde, os parlamentares deverão ouvir Carlos Cachoeira. A presença do contraventor foi confirmada após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar recurso dos advogados de Cachoeira para adiar o depoimento. Na semana passada, o primeiro recurso foi aceito pelo ministro Celso de Mello, que na ocasião entendeu que Cachoeira não poderia depor porque não teve acesso aos inquéritos. A audiência com Cachoeira está marcada para 14h.

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