Ex-presidente adia entrevista à TV por recomendação médica

Apesar da remissão do tumor, Lula ainda não tem condições de cumprir todos os compromissos. Veja a transformação do ex-presidente e sua melhora após tratamento

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Em decisão compartilhada com sua equipe médica o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu adiar para a próxima quinta-feira a entrevista que daria nesta terça ao “Programa do Ratinho”, do SBT. Ontem Lula foi homenageado com o título de cidadão paulistano pela Câmara Municipal de São Paulo. O médico pessoal de Lula, Roberto Kalil Filho, considerou que seria um exagero e um risco o ex-presidente participar de eventos públicos em dois dias consecutivos.

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O adiamento da entrevista mostra que apesar do sucesso do tratamento contra o câncer na laringe e da remissão do tumor, Lula ainda não tem condições físicas de cumprir com todos os compromissos de que gostaria, principalmente se dedicar com mais empenho à campanha do ex-ministro da Educação Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo.

A principal limitação de Lula ainda é a voz. Desde o final do ano passado, ele tem feito sessões diárias de fonoaudiologia. A avaliação é de que Lula já poderia estar com a voz melhor, se ficasse mais tempo quieto. Mas ficou acordado entre ele e a fonoaudióloga que a recuperação será mais lenta, sem ser comprometida, para que o ex-presidente possa falar mais, sempre com acompanhamento.

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No evento de ontem, na Câmara, ficou claro que o ex-presidente está recuperando o timbre grave e rouco, marca registrada de sua figura política. No entanto, também ficou aparente a fragilidade da voz que, em alguns minutos, perde volume e timbre originais. Recentemente a fonoaudióloga de Lula avaliou que ele “está progredindo bem”.

Ontem o próprio Lula comentou sobre o assunto. “Eu preparei um discurso de seis ou sete minutos por escrito para que não canse minha garganta porque se falar de improviso a gente vai ficando emocionado, vai lembrando de coisas, falando coisas e quando vê passou meia hora, quarenta minutos e a gente só para quando começar a tossir, igual aconteceu em São Bernardo do Campo na inauguração de uma obra. Então vou me ater aqui ao discurso”.

No final, Lula falou bem mais que os seis, sete minutos do discurso que havia preparado. Falou durante 27 minutos, autografou dezenas de camisetas e passou um bom tempo posando para fotos, contrariando todas as orientações médicas.

Segundo pessoas próximas, o ex-presidente reclama das restrições impostas pela recuperação de sua saúde. Mas procura seguir todas as recomendações, é aplicado nas sessões de fono e fisioterapia, respeita as dietas e os horários dos medicamentos.

Viagens, por exemplo, só as de distâncias curtas, como Rio e Brasília. No dia 25 de abril, o ex-presidente participou do lançamento do filme de Ricardo Stuckert , “Pela Primeira Vez”, em Brasília, acompanhado do médico Artur Katz.

“Na verdade ele sofre muito por não poder fazer tudo o que gostaria”, disse um auxiliar.

Recentemente, Lula foi obrigado a declinar de um prêmio que receberia em Nova York por orientações médicas. As viagens de avião são especialmente prejudiciais à recuperação do ex-presidente devido à necessidade de sobrepor a voz ao barulho da aeronave.

Além disso, Lula ainda sofre com os fortes efeitos colaterais da quimio e radioterapia usadas no tratamento do tumor. Um destes efeitos é a neuropatia, alteração no nervo que provoca fragilização da musculatura. Cerca de três semanas atrás ele sofreu uma queda ao pisar em falso, o que acentuou os efeitos na musculatura da perna esquerda. Logo depois, apareceu de bengala em um evento no Rio , no último dia 3.

Ontem, na Câmara, Lula ainda usava uma tala escondida pela barra da calça .

Mesmo com as limitações e recomendações médicas a movimentação em seu escritório, no Instituto Lula, é frenética. “Aquilo é um entre e sai danado. Não para nunca”, disse um frequentador do local.

Apesar das cobranças vindas de candidatos do PT em todo o Brasil, a direção do partido decidiu blindar Lula das demandas eleitorais. A ordem é evitar pressões e desgaste ao ex-presidente.

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