CPI encerra sessão após pouco mais de duas horas de ‘silêncio’ de Cachoeira

Parlamentares fizeram perguntas sobre as investigações e o bicheiro apenas repetiu a frase: ‘Não falarei nada, vou ficar calado’

iG São Paulo |

Após pouco mais de duas horas de sessão de CPI nesta terça-feira, o bicheiro Carlos Augusto Cachoeira não respondeu às perguntas dos parlamentares e apenas repetiu as frases: “Não vou falar nada”, “Vou usar o direito constitucional de ficar calado”, “Vou ficar calado”, “Não vou responder”. Cachoeira disse que foi orientado pelos seus advogados – um deles, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos não saiu do seu lado na CPI – a só falar depois de depor à Justiça.

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Cachoeira 'fica calado' na CPI por orientação do advogado Márcio Thomaz Bastos (ao lado)

Irritados com o silêncio de Cachoeira, deputados e senadores fizeram perguntas sobre as relações da rede do bicheiro com a Delta nacional e com o governador de Goiás, Marconi Perillo. Cachoeira não respondeu nem à pergunta sobre como vem sendo tratado na penitenciária da Papuda, em Brasília, onde está preso sob acusação de envolvimento em jogo ilegal e por ter montado um esquema de corrupção que envolve políticos e agentes públicos e privados.

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Logo que foi chamado a depor pelo presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), Cachoeira disse que ficaria calado, como já era esperado. “Estou aqui como manda a lei, mas não falarei nada. Constitucionalmente, fui advertido pelos meus advogados para não falar nada e não falarei nada aqui. Somente depois da audiência com o juiz (...) aí pode me chamar que virei aqui para falar e responderei a qualquer pergunta”, afirmou.

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Após pouco mais de uma hora de sessão, a senadora Kátia Abreu (PDS-TO) pediu para encerrar o depoimento de Cachoeira: “Precisamos encerrar essa sessão, que está ficando ridícula, diante desse cidadão que está nos manipulando. Temos de nos preocupar com o que as pessoas estão pensando, nós não vamos dar olho para bandido, sugiro que seja encerrada (a sessão ) para que vire sessão (...) Não vamos fazer papel de bobo com um chefe de quadrilha ali sentado, com essa cara cínica como se nada estivesse acontecendo no mundo”, disse exaltada a senadora.

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Fazendo coro à Kátia Abreu, o deputado Silvio Costa (PTB-PB) disse que a recusa de Cachoeira em falar não era “o silêncio dos inocentes”. “Fui contra que ouvíssemos o senhor Carlos Augusto. Essa CPI corre o risco doravante. Todos os membros que forem convocados vão exercer o mesmo direito do Cachoeira de ficar calado. Sempre fui contra, quem dá o norte da CPI é sempre o baixo clero da organização, é a periferia da organização. Sempre fui a favor de convocarmos o baixo clero. Hoje Cachoeira pautou a CPI.

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O relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), disse que há um novo requerimento para ser votado ainda nesta terça-feira para convocar Cachoeira após o depoimento à Justiça, que deve acontecer entre 31 de maio e 1º de junho. Por diversas vezes, o bicheiro disse que está disposta a responder às perguntas da CPI depois de depor ao juiz do processo contra ele. “Tanto do ponto de vista do doutor Márcio (o advogado Márcio Thomaz Bastos) como do acusado (Cachoeira), há uma disposição verbalizada de cooperar com os trabalhos da comissão. Espero que essa contribuição aconteça com o fim do processo.

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) também reclamou: "O depoente não pode achar que aqui tem um bando de palhaço”. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) se disse preocupado com a imagem que os senadores e deputados poderiam passar ao terem suas perguntas ignoradas pelo depoente. "Não imaginamos que imagem estamos passando para a população. Que estamos aqui diante de um marginal, que sai da Papuda para vir para cá e mantém-se com a arrogância dos livres. Não creio que devemos continuar com esse depoimento. Da minha parte, formulei algumas perguntas, mas as reservarei para outra oportunidade. Não farei indagação alguma, porque respostas não há", afirmou.

Com Agência Brasil

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