Cachoeira não comparecerá ao Conselho de Ética, diz advogado de Demóstenes

Kakay afirma ter conversado com Márcio Thomáz Bastos, advogado de Cachoeira, que disse que cliente alegará que 'já compareceu à CPI'

iG São Paulo |

A principal testemunha arrolada na defesa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) no processo do Conselho de Ética, Carlinhos Cachoeira , não deverá comparecer ao depoimento previsto para esta quarta-feira. Segundo o advogado de Demóstenes, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, quem o deu a informação foi o próprio advogado de Cachoeira, Marcio Thomáz Bastos.

Leia também: STF decide que Cachoeira deve comparecer à CPI nesta terça

AE
Carlinhos Cachoeira é acusado de comandar uma máfia de exploração de máquinas de caça-níqueis

Os dois jantaram na noite de segunda-feira para tratarem do processo do Mensalão , uma vez que Kakay defende o publicitário Duda Mendonça. "O Márcio Thomáz Bastos me disse que o Cachoeira não virá. Ele vai alegar que já compareceu à CPI", relatou o advogado, referindo-se à presença de Cachoeira na CPI, marcada para esta terça-feira.

Cachoeira é investigado na CPI por comandar um esquema de jogos ilegais e de trágico de influência com servidores públicos e privados. Os mesmos relatórios apontam envolvimento do senador por Goiás com as atividades de Cachoeira, cuja defesa foi adiada do dia 28 para o dia 29 próximos, a pedido do relator do caso, senador Humberto Costa (PT-PE).

Se a ausência de Cachoeira se confirmar, a defesa não terá nenhuma testemunha no processo disciplinar que investiga quebra de decoro parlamentar por parte de Demóstenes. Isso porque a outra testemunha, o advogado Ruy Cruvinel, desmarcou seu depoimento no Conselho nesta terça , alegando "motivos pessoais".

Saiba mais: Depoimento de advogado no Conselho de Ética é desmarcado

"Demóstenes vem. Ao Conselho de Ética, acho que ele tem que vir. Aqui, acho que ele tem que prestar satisfação a seus pares", disse Kakay. Entretanto, sobre o comparecimento de Demóstenes à CPI, para a qual ele foi convocado a apresentar-se no dia 31 de maio, a orientação é para que ele se apresente, mas se mantenha em silêncio. "Minha orientação jurídica é a de que Demóstenes vá à CPI, mas não fale."

De acordo com Humberto Costa, o próprio acusado pediu que seu depoimento, inicialmente marcado para o dia 28, fosse adiado para as 9h30 do próximo dia 29. O conselho aprovou a mudança por unanimidade em reunião na manhã desta terça, à qual o relator compareceu com uma tipoia no braço esquerdo em razão de uma fratura.

Durante a reunião, o presidente do Conselho, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), comunicou aos senadores o recebimento de ofício do advogado Ruy Cruvinel no qual ele informa que não compareceria à audiência por “motivos pessoais”. O advogado foi incluído como testemunha de defesa de Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Valadares explicou que o Conselho não tem a prerrogativa de convocar testemunhas, apenas convidá-las a depor. "Todos sabem que o conselho pode fazer convites a testemunhas, mas não tem o poder coercitivo de obrigar a uma testemunha a comparecer para prestar depoimento. Nós não temos nem o poder de convocar, mas sim de convidar. A testemunha diz que não comparece porque quer manter sua privacidade", disse.

Com Agência Senado

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