MPF defende proteção policial a Cláudio Guerra

Procurador classifica como “interesse público” integridade física de ex-delegado; ele vai ser chamado a depor nas próximas semanas

Wilson Lima, iG Brasília |

Agência Porã
"Proteção a Cláudio Guerra torna-se interesse público", defende procurador da República, Eduardo de Oliveira
O procurador da República de Campos, no Rio de Janeiro, Eduardo Santos de Oliveira, defendeu ao iG que o Estado promova proteção policial urgente ao ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), responsável por revelações inéditas sobre o regime militar no livro “Memórias de uma guerra suja”, lançado no início deste mês.

Oliveira é o responsável pelo procedimento investigatório criminal que apura a execução e incineração de pelo menos 10 militantes de esquerda na usina de açúcar Cambahyba, localizada no município de Campos, no Rio de Janeiro. O ato foi narrado por Guerra na publicação.

Segundo o procurador, Guerra deve ser tratado como um arquivo vivo a ser preservado. “A proteção dele torna-se de interesse público. A integridade física do ex-delegado interessa diretamente ao Estado”, disse o procurador.

Na quarta-feira última, o ex-delegado sofreu um suposto atentado em Vitória , por volta das 4h30. Segundo e-mail encaminhado por Guerra aos autores do livro (Rogério Medeiros e Marcelo Netto), ele estava na casa de repouso de idosos de Vitória, quando três homens começaram a discutir com o segurança do asilo. Um deles falou “eu vou pocar (atirar)” em referência ao ex-delegado.

Na quinta-feira, o iG revelou que Guerra, até hoje, não possui proteção de agentes federais . O Ministério da Justiça recebeu dois pedidos de proteção policial que foram encaminhados à Polícia Federal (PF) de Brasília. A PF chegou a disponibilizar agentes para proteger o ex-delegado do DOPS, mas ele recusou a ajuda. O Poder Judiciário do Espírito Santo também disponibilizou segurança especial, igualmente rejeitada pelo ex-delegado.

Um dos autores do livro “Memórias de uma guerra suja”, o jornalista Rogério Medeiros, afirmou ao iG que Guerra está preocupado apenas com qualquer tipo de retaliação à sua família. “Ele diz que sabe se defender, por isso rejeitou ajuda”, revelou Medeiros.

Após a publicação do livro, Guerra vive em uma espécie de exílio. Com medo do assédio da imprensa e de militantes dos direitos humanos, ele vive em local desconhecido (até mesmo por seus familiares) disponibilizado pela Vara de Execuções Criminais (VEC) de Vila Velha. Hoje, Guerra é custodiado pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Ele cumpre pena em regime semiaberto por um assassinato ocorrido durante da década de 1990.

A expectativa é que o MPF chame Cláudio Guerra para depor no máximo em 15 dias. Nesse primeiro momento da investigação do Ministério Público Federal fluminense, já foram encaminhados ofícios e documentos à diversos órgãos como a Comissão Especial de Mortos Desaparecidos pedindo maiores detalhes sobre os fatos relatados pelo ex-delegado do DOPS.

Ainda como parte das investigações, o procurador Eduardo de Oliveira pretende chamar os jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto para prestar depoimento e o local narrado por Guerra, a usina de açúcar Cambahyba, vai ser alvo de perícia durante a investigação.

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