Ex-avalista de Collor ensaia volta à política após renúncia no DF

Paulo Octávio, que ajudou ex-presidente a levantar US$ 5 milhões em 1992, deixou a cena em 2010 em meio ao escândalo do mensalão do DEM

Wilson Lima, iG Brasília |

Fora dos gabinetes desde 2010, quando renunciou ao mandato de governador interino do Distrito Federal em meio ao escândalo do mensalão do DEM, o ex-senador e ex-vice-governador Paulo Octávio ensaia seu retorno à vida política, mas pode esbarrar justamente na Lei da Ficha Limpa. Por conta da renúncia, ele pode ser considerado inelegível até 2018.

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No entanto, Octávio nega qualquer tentativa de retorno ao cenário político. Ele afirma que pensa, nesse momento, apenas em continuar a vida de suas empresas, hoje com 37 anos de atuação e mais de 5 mil funcionários. "Não tenho nenhuma intenção de voltar. Minha prioridade hoje é outra", disse o ex-vice governador do DF.

Ao lado de Luiz Estevão, Otávio foi um dos “avalistas” do ex-presidente Fernando Collor na chamada “Operação Uruguai”, em 1992. Na época, Collor disse que os dois foram avalistas de um empréstimo de US$ 5 milhões para reformas na Casa da Dinda. Esse empréstimo, em seguida, foi um dos pontos questionados na CPI que culminou com a cassação do mandato do alagoano.

Agência Brasil
Paulo Octávio (ao fundo) voltou à cena em 2010 em meio ao mensalão do DF, que derrubou o então governador Arruda (em primeiro plano)
"Conheci Collor quando era estudante da UNB (Universidade de Brasília). Depois tivemos contato com ele apenas depois que ele assumiu a presidência e o fato de ter sido amigo dele, de certa maneira, nos prejudicou. Agora, o governo dele teve seus méritos: abriu a economia, enxugou a máquina pública. Isso todo mundo reconhece", lembrou Octávio.

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Octávio foi eleito duas vezes deputado federal na década de 1990 e senador em 2002. Ficou no cargo até fevereiro de 2007. E elegeu-se vice-governador na chapa de José Roberto Arruda.

Em 2009, viu seu nome envolvido na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal (PF), que investigou a suposta distribuição de recursos ilegais na base aliada do governo do DF. Era apenas o início de seu calvário político. Em 2010, viu seu nome enrolado no esquema do mensalão do Distrito Federal. Foi acusado pelo ex-secretário de governo Durval Barbosa de ter recebido pelo menos R$ 200 mil também para apoiar atos do então governador José Roberto Arruda.

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Paulo Octávio chegou a ser governador interino do DF por um período inferior a 15 dias durante a crise, mas renunciou após um pedido de impeachment feito pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Afastado da política desde então, no ano passado, Octávio ensaiou um retorno à cena via DEM, tentando ganhar força dentro do partido. "Já fui convidado a integrar vários partidos, mas não é meu objetivo de vida hoje", rebateu. "Eu renunciei antes da Ficha Limpa e para atenuar a crise do partido, não para escapar de uma cassação", retrucou o ex-governador.

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Uma eventual volta de Paulo Octávio esbarra na Lei da Ficha Limpa. Como ele renunciou ao mandato de governador, ele é considerado inelegível por um período de oito anos. Ou seja, até 2018.

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