JBS, do grupo comprador da Delta, é acusada de monopólio

Associações de pecuaristas afirmam que empresa usa recursos do BNDES para controlar mercado da carne e interferir em preços

Fred Raposo, iG Brasília |

A empresa de alimentos JBS - integrante da holding J&F que assumiu controle da empreiteira Delta Construções - está sendo acusada de usar recursos públicos para monopolizar o mercado de carnes no País. A denúncia é da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), e conta com a assinatura de outras oito entidades ligadas ao setor frigorífico.

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Segundo “manifesto” elaborado pelas associações, intitulado “Carta de Campo Grande”, a JBS tem empregado recursos provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no “arrendamento” de frigoríficos, que em seguida seriam fechados, causando desemprego, e para interferir no mercado “regulando preços de compra desses insumos”.

“Pior, por consequência, afetará sem dúvida o preço da carne no varejo, com majoração de preços para o consumidor final”, diz o documento, que classifica a prática como “nefasta”. O presidente da Acrissul, Francisco Maia, afirma que já foram identificados casos de demissões e fechamentos de frigoríficos em Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Acre, Mato Grosso do Sul e Pará.

“Vamos fazer um levantamento completo dos dados e apresentar às autoridades para que se tome providências. Essas empresas têm plantas ociosas, trabalhando com 40% a 50% de sua capacidade e mesmo assim compram outros frigoríficos”, diz Maia ao iG .

O BNDES informou que, desde 2006, já injetou R$ 8,1 bilhões na JBS e que controla 31,4% das ações do frigorífico. Por meio de sua assessoria de imprensa, contudo, explica que a sociedade do banco se restringe à JBS e nega influência na holding e no negócio de compra da empreiteira.

Na última terça-feira, sessão conjunta das comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e Agricultura e Reforma Agrária (CRA) da Casa aprovou requerimento para realização de audiência pública para debater o assunto.

Entre os convidados estão o presidente da holding J&F, Joesley Batista, o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Fernando Furlan, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e Marcos Antonio Molina dos Santos, presidente do Conselho de Administração do Grupo Marfrig.

O documento foi protocolado na mesma terça-feira no Cade pelo senador Waldemir Moka (PMDB-MS). “Achei a denúncia muito forte, tem que ser levada a sério”, afirma o peemedebista. “Se o negócio estivesse concentrado só no setor privado seria uma coisa, porque o mercado é muito grande. Mas por envolver recursos do BNDES a acusação se torna mais grave”.

Procurada, a JBS afirmou, por sua assessoria de imprensa, que não comentaria o assunto por não ter sido notificada oficialmente. Mas disse que está à disposição dos órgãos de controle, caso seja convocada a prestar esclarecimentos.

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