Mesmo após atentado, Guerra está sem proteção policial

Institucionalmente, ex-delegado do DOPS ainda não pediu ajuda à Polícia Federal ou ao Ministério da Justiça

Wilson Lima, iG Brasília |

Agência Porã
Ex-delegado Cláudio Guerra traz revelações sobre crimes da ditadura em livro
Apesar de ter sido alvo de uma tentativa de atentado na madrugada desta quarta-feira, o ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) Cláudio Guerra não tem qualquer tipo de proteção de agentes federais. Guerra é hoje considerado um dos maiores arquivos vivos sobre o regime militar principalmente após as revelações sobre o regime militar que resultaram no livro “Memórias de uma guerra suja”.

Segundo informações do Ministério da Justiça, até a tarde desta quarta-feira não havia pedido formal de proteção em favor do ex-delegado. A Polícia Federal (PF) também não recebeu até momento qualquer pedido de proteção para Cláudio Guerra. Segundo o jornalista Rogerio Medeiros, um dos autores do livro “Memórias de uma guerra suja”, o próprio Guerra não formalizou esse pedido de proteção policial. “Até agora ele se sentia seguro. Ele se preocupa mais com a família dele. Ele sabe como se proteger”, informou Medeiros.

O atentado contra Guerra teria ocorrido por volta das 4h30 desta quarta-feira (16). Segundo e-mail encaminhado por Guerra aos autores do livro, Guerra estava na casa de repouso de idosos de Vitória, quando três homens começaram a discutir com o segurança da casa de repouso. Um deles falou “eu vou pocar (atirar)”, conforme Guerra.

Nesse momento, ele ligou para o 190 e os homens foram embora antes da chegada da Polícia Miliar. O recado seria para o ex-delegado. “Dedução minha: a finalidade era que eu saísse do quarto para me atingirem, pois ao sair seria um alvo mais fácil. Devido à minha história, eles por certo não entraram supondo que eu estivesse armado e resistiria”, disse Guerra no e-mail.

Nesta quarta-feira, em discurso na tribuna, o senador Paulo Paim (PT-RS) denunciou o caso e afirmou que pediria ajuda ao Ministério da Justiça. Até agora, o pedido oficial de ajuda ainda não chegou às mãos do ministro José Eduardo Cardozo.

Oficialmente, Cláudio Guerra cumpre regime semiaberto por assassinatos cometidos no Espírito Santo. Ele é custodiado pela Vara de Execuções Criminais de Vila Velha. O iG apurou que, após a publicação do livro “Memórias de uma guerra suja”, por iniciativa do próprio ex-delegado do DOPS, ele pediu para ser abrigado em um local desconhecido. Mas ele está sem qualquer proteção de agentes federais.

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