Dipp diz que Comissão da Verdade também investigará crimes da esquerda

Integrante do órgão admite que a lei que instituiu a Comissão não determina exatamente quais seriam os alvos das investigações

Wilson Lima, iG Brasília |

O primeiro coordenador da Comissão da Verdade , o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp, confirmou nesta quarta-feira, após a posse dos sete membros que vão compor o órgão, que serão alvos das investigações todos os crimes cometidos durante o período de 1946 a 1988 – o que inclui a ditadura militar (1964-1985) –, sejam eles da direita ou da esquerda.

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Segundo Dipp, a própria lei que instituiu a Comissão da Verdade não discrimina quais seriam os alvos das investigações, se os crimes cometidos pelo Estado ou pelos militantes de esquerda.

Agência Brasil
Um dos integrantes da Comissão da Verdade, o ministro do STJ Gilson Dipp afirma que o órgão investigará crimes cometidos pelo Estado e pela esquerda


A expectativa de foco das investigações já causou polêmica e mal-estar entre dois membros da Comissão: o ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, e a ex-advogada da presidenta Dilma Rousseff , Rosa Maria Cardoso da Cunha. Dias defende uma investigação ampla, ao passo que Cunha entende que a comissão deve focar na apuração dos crimes dos agentes do Estado. “O artigo 1º da lei refere que toda a violação dos Direitos Humanos poderá ser examinada pela comissão”, ratificou Dipp.

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Até o momento, a Comissão da Verdade ainda não tem a lista oficial de quais crimes serão investigados. Mas a prioridade dela será a análise de crimes envolvendo desaparecidos políticos.

A primeira reunião de trabalho da comissão acontece em Brasília já na tarde desta quarta-feira. Neste encontro, serão definidos pontos como regimento interno, periodicidade das reuniões, local de trabalho, entre outras questões.

Em entrevista coletiva, o ministro Gilson Dipp reafirmou que a Comissão da Verdade vai ajudar o Brasil “a se reconciliar em definitivo com a sua história”. “Uma democracia só se consolida se nós tivermos absoluta certeza do que aconteceu no passado”, disse.

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