É o ‘boom imobiliário’, diz advogado de servidor de SP que multiplicou patrimônio

Saab teria comprado 106 imóveis desde 2005, quando assumiu cargo; assessoria de Kassab diz que ele foi ‘compelido a pedir exoneração’

Fábio Matos, iG São Paulo |

Fora da prefeitura São Paulo desde abril, quando passou a ser investigado pela Corregedoria Geral do Município e pelo Ministério Público Estadual, o ex-diretor técnico do Departamento de Aprovação das Edificações (Aprov) da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), Hussain Aref Saab, teve uma grande evolução patrimonial graças à valorização do preço dos imóveis na cidade e aos bens que recebeu de herança. A afirmação é do advogado de Aref, Augusto de Arruda Botelho, ouvido nesta segunda-feira pela reportagem do iG .

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Segundo a Folha de S.Paulo, o ex-integrante da gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) acumulou, desde 2005, um patrimônio de mais de R$ 50 milhões e possui atualmente 118 imóveis. De acordo com o jornal, Aref comprou 106 imóveis durante o período em que ocupou o cargo na administração municipal. Ele tinha renda mensal declarada de R$ 20 mil, entre rendimentos de aluguéis e salário bruto de R$ 9,4 mil, incluindo a aposentadoria.

No último sábado, durante o ato que marcou o apoio do PSD à pré-candidatura do ex-governador José Serra (PSDB) à prefeitura de São Paulo, Kassab disse que o afastamento de Aref se deu logo após a decisão da Corregedoria de investigar o funcionário por concluir que havia indícios de irregularidades em sua evolução patrimonial.

“A evolução patrimonial dele é absolutamente condizente com o rendimento que ele teve no aluguel e compra de imóveis”, afirmou ao iG o advogado de Aref, Augusto de Arruda Botelho. “Ele compra imóveis desde 1969, investe na aquisição de imóveis. Todos esses imóveis são devidamente regularizados, tudo declarado e contabilizado.”

De acordo com o advogado do ex-diretor do Aprov, o aumento do número de imóveis comprados por seu cliente desde 2005 é explicado pela grande valorização desse mercado na cidade de São Paulo no período. “É um ‘boom’ imobiliário não só para ele, mas para todas as pessoas que alugam imóveis. Os aluguéis foram reajustados em todas as capitais de forma exponencial. E o senhor Aref faz exatamente isso, compra imóveis com essa renda, já há muitos anos”, diz Botelho. “Ele ainda teve 11 imóveis recebidos por herança, e dois deles eram terrenos onde estavam construídas cinco casas em cada um. Todos foram locados. Essas locações geram uma renda, que é revertida em imóveis.”

Exoneração

O advogado de Hussain Aref Saab também afirmou que seu cliente não teria sido exonerado da prefeitura de São Paulo, mas pedido afastamento por conta própria. “Ele não foi exonerado. Na verdade, o pedido de saída é dele. E isso se deve a alguns fatores, como ao fato da idade avançada e de alguns problemas de saúde. Ele já estava aposentado há oito anos, mas continuava trabalhando na prefeitura”, afirma.

Ao iG , a assessoria do prefeito Gilberto Kassab diz que a informação de que foi Aref quem pediu exoneração é tecnicamente correta, mas informa que, na verdade, o ex-funcionário “foi compelido a pedir exoneração” após a abertura de investigação pela Corregedoria Geral do Município. O prefeito teria pedido a Aref para que o diretor se afastasse do cargo.

“Agora vamos aguardar o desenrolar das investigações. Ele já prestou depoimento duas vezes, inclusive. Existe um processo já antigo no Ministério Público (que trata de supostas fraudes na obtenção de alvarás) e ele também já compareceu no âmbito na Corregedoria do Município”, diz Botelho.

Hussain Aref Saab, de 67 anos, era funcionário de carreira da prefeitura de São Paulo e se aposentou em 2005. Ele foi assessor da Secretaria de Planejamento durante a gestão do ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000) – na ocasião, a pasta era ocupada justamente por Gilberto Kassab. Em 2005, José Serra venceu as eleições municipais na cidade tendo o atual prefeito como vice, e Aref teve seu nome indicado pelo próprio Kassab para a Aprov.  

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