Perillo volta a dizer que vai depor se for convocado e sugere que CPI abra sigilo bancário de todas as empreiteiras do País

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O governador Marconi Perillo (PSDB) disse nesta segunda que, se for convocado a depor, vai sugerir à CPI do Cachoeira que sejam estendidas as investigações a todas as construtoras existentes no País. "É preciso passar o Brasil a limpo", disse o governador, em Goiânia, ao defender a abertura do sigilo bancário das empreiteiras e investigar suas relações com os governos nas esferas federal, estadual e municipal.

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O tucano disse estar "tranquilo" em relação às investigações sobre ele e seu governo. "Eu jamais permitiria que alguma empresa pagasse qualquer tipo de propina ao governo", afirmou. Sobre o envolvimento do seu nome nas escutas da PF, defendeu: "Infelizmente, às vezes pessoas citam nosso nome até mentindo, ou às vezes querendo mostrar algum tipo de intimidade para levar vantagens".

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Perillo argumentou que a polícia de Goiás realizou mais de 700 operações e apreendeu 1.900 máquinas de jogos ilegais. O governador sugeriu que existam interesses ocultos por trás das investigações: "O Brasil precisa ser passado a limpo de verdade, mas não na base da hipocrisia ou da perseguição", afirmou.

Em depoimento à CPI, o delegado Matheus Mela Rodrigues confirmou encontros e ligações telefônicas entre Perillo e Cachoeira. De acordo com parlamentares que acompanharam as mais de oito horas de sessão, Rodrigues disse que foram usados três cheques de Leonardo Almeida Ramos, sobrinho de Cachoeira, na aquisição do imóvel localizado em Alphaville, condomínio de luxo em Goiânia, que pertencia a Perillo. Foi neste imóvel que o bicheiro foi preso no dia 29 de fevereiro, data em que a operação da PF foi desencadeada.

Os três cheques repassados ao governador goiano somavam R$ 1,4 milhão, segundo o delegado federal. Duas folhas eram de R$ 400 mil e a outra de R$ 600 mil.

Em nota, o governador disse que a venda da casa foi intermediada "pelo sr. Wladmir Garcêz, que inicialmente se apresentou como comprador do imóvel e, na escrituração, ele disse que o comprador seria o sr. Walter Paulo. Em seguida o sr. Wladmir levou os cheques ao governador. Na época, o governador não observou o nome do emitente pois a casa só seria escriturada após a devida quitação."

Segundo Perillo, "trata-se de patrimônio pessoal do governador e foi vendida rigorosamente dentro da lei e declarada no Imposto de Renda em uma transação que, absolutamente, nada tem a ver com a atividade pública do governador. Se o governador tivesse alguma dúvida com relação à legalidade da transação e não tivesse agido de boa fé, não teria declarado a venda de forma transparente no Imposto de Renda. Tanto é que o governador depositou os três cheques em sua conta corrente."

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