Procurador-geral da república entre 2003 e 2005 disse que órgão pode ser transformar em símbolo do Estado democrático de direito

Quando era jovem, o procurador-geral da república entre 2003 e 2005, Cláudio Fonteles, atuou no movimento político estudantil como membro do grupo Ação Popular (AP) na década de 1960. Agora, como um dos sete integrantes da Comissão da Verdade, Fonteles afirmou ao iG que essa será uma maneira de reviver essa luta da juventude.

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O grupo Ação Popular foi um movimento de resistência criado em 1962 e que resultou na atuação de militantes estudantis da Juventude Universitária Católica (JUC), entre outras agremiações. “Aos 18 eu e um grupo de jovens, rapazes e moças daqui de Brasília, de classe média, nos propusemos, como tantos outros nesse Brasil, a criar uma sociedade melhor. E fomos lutar por isso. Muitos companheiros meus morreram. (A indicação) É uma homenagem até a uma luta que existiu no passado e que eu tentei trilhar minha vida inteira no Ministério Público”, disse Fonteles.

Entenda: Como atuará a comissão

Membro aposentado do Ministério Público Federal (MPF) desde 2008, Fonteles classificou como inesperada a sua indicação. Durante toda a sua atuação no MPF, Fonteles sempre atuou como defensor dos direitos humanos e das minorias.

Ele ressaltou que a partir de agora caberá à Comissão da Verdade dar continuidade ao levantamento de informações sobre o regime militar iniciado no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). Na visão dele, o mais importante nesse momento é fazer com que o Brasil definitivamente vire a página referente aos crimes cometidos na ditadura. “A Comissão da Verdade não está surgindo do nada. Essa lei reconhece que o Estado Brasileiro em um determinado período histórico ele violou os direitos humanos, de brasileiros e de brasileiras”, disse.

“A meu ver essa comissão vai dar continuidade a um trabalho que já existe. Como? Abrindo para que familiares de outras pessoas, que não constam na lista de vitimadas no primeiro grande trabalho, possam buscar esclarecimentos também. E aí vai se montar um mosaico dessa realidade. Para que todos nós brasileiros possamos entender que a verdade não está em adotar um Estado autoritário, um Estado truculento, um Estado arbitrário. Mas a verdade está em construir um Estado democrático”, complementou Fonteles.

O ex-procurador-geral declarou também que os trabalhos da Comissão da Verdade podem se tornar um símbolo. “A verdade está em que nunca poderemos resolver nossos problemas, por mais difíceis que sejam, pela violência, pela tortura, pela truculência do Estado. O Estado tem que ser sempre o guardião do amplo debate, da ampla divergência, mas em alto nível”.

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