'Eu não matei. Não sei quem é Sombra', diz um dos réus do caso Celso Daniel

Os outros réus também negaram participação no crime. Advogados de dois acusados abandonaram o júri antes do início do julgamento

Bruna Carvalho, iG São Paulo |

Três dos cinco réus do caso Celso Daniel que estão sendo julgados nesta quinta-feira negaram envolvimento no crime em depoimento no júri que acontece no Fórum de Itapecirica da Serra. José Edson da Silva, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira e Ivan Rodrigues da Silva disseram também que desconhecem o ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime, nem Dionísio de Aquino Severo, apontado como líder do bando que sequestrou o ex-prefeito de Santo André. O julgamento começou às 11h, foi interrompido na hora do almoço e retomado pouco depois das 14h30.

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Diogo Moreira/Futura Press/AE
Acusados de matar o prefeito Celso Daniel, em 2002, enfrentam júri nesta quinta

O julgamento teve início por volta das 11h e, como as testemunhas arroladas pela defesa foram dispensadas, a sessão começou com os interrogatórios dos três. Os advogados dos outros dois abandonaram o júri alegando “desigualdade” entre acusação e defesa porque teriam apenas meia hora para defender seus clientes. “É impossível defender o réu em 30 minutos”, afirmou Ana Lúcia Santos, advogada de Elcyd. Com isso, o julgamento de Itamar Messias da Silva e Elcyd Oliveira Brito foi remarcado para 16 de agosto.

Agência Estado
Celso Daniel foi achado morto em 2002
Ivan Rodrigues da Silva foi o primeiro a falar. O interrogatório durou menos de meia hora. Ele negou participação no crime e disse que não conhece o ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime, nem Dionísio de Aquino Severo, apontado como líder do bando que sequestrou o ex-prefeito de Santo André. “Eu não matei ninguém. Estão falando desse Sombra e eu não sei nem que é esse senhor”, afirmou Rodrigues da Silva.

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O segundo a falar foi José Edson da Silva em interrogatório que durou pouco mais de 15 minutos. Assim como o primeiro, negou conhecer os outros acusados e ter participado do crime. Disse que estava na Bahia quando Celso Daniel foi morto e também disse que não faz parte do PCC (Primeiro Comando da Capital). “Não é verdade, não sei por que sou acusado”, disse Edson da Silva.

Na sua vez, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o terceiro e último réu a falar, também negou envolvimento com o crime e disse que não conhece nem Dionísio nem Sombra. Oliveira afirmou, assim como os outros três, que a confissão de crime que fez foi obtida sob tortura.

Tese do Ministério Público

O promotor Márcio Augusto Friggi de Carvalho afirmou, em entrevista ontem, que o Ministério Público do Estado de São Paulo reafirmará a sua versão de que a morte do prefeito foi um crime encomendado e com motivação política.

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Elcyd conduzia a Blazer que, junto a um Santana, bloqueou a passagem da Pajero onde estava o prefeito no momento do sequestro, em janeiro de 2002. Celso Daniel foi abordado na saída de um restaurante e estava acompanhado do ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser mandante do crime. Sombra não está entre os réus que serão julgados nesta quinta, porque dois recursos fizeram com que o processo que trata da acusação contra ele fosse desmembrado. Ainda não há uma data para julgamento.

Além de Elcyd, responderão pelo crime de homicídio duplamente qualificado no júri nesta quinta Itamar Messias Silva dos Santos e Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o Bozinho - que também estavam na Blazer - Ivan Rodrigues da Silva, conhecido como Monstro, e José Edson da Silva. Eles teriam sido recrutados por Dionísio Aquino Severo, que, segundo o MP, liga Sombra ao grupo que executou a ação. Dionísio foi morto na cadeia logo após sua prisão, em 2002.

A promotoria sustenta que o crime está ligado a denúncias de corrupção na administração pública de Santo André. Celso Daniel teria descoberto que o dinheiro do esquema de corrupção instalado na prefeitura para financiar campanhas eleitorais do PT estava sendo utilizado para arcar com gastos pessoais dos envolvidos. "O esquema para beneficiar o PT ele (Celso Daniel) sabia e concordava. Não concordou com o enriquecimento pessoal dos envolvidos", disse o promotor.

Então, ainda de acordo com o MP, foi forjado um sequestro para encobrir a real motivação do crime. O corpo de Celso Daniel foi encontrado dois dias após sua captura com marcas de oito tiros em Juquitiba, São Paulo. Carvalho afirma que há uma "clareza solar" de que o prefeito foi torturado.

Segundo a polícia, Celso Daniel teria sido sequestrado por engano, por uma quadrilha da favela Pantanal, localizada na divisa entre São Paulo e Diadema, liderada por Ivan Rodrigues da Silva, o Monstro – que, na verdade, tinha planejado o rapto de um empresário que não deu certo.

Carvalho acredita que os réus serão condenados a penas que devem variar de 12 a 30 anos.

Dez anos após o crime, apenas um dos acusados foi julgado. Marcos Roberto Bispo dos Santos, que dirigia a Santana durante o sequestro, foi condenado a 18 anos de prisão em 2010.

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