Irmão de Celso Daniel diz que depoimento dos réus é ‘encenação’

Para Bruno Daniel, que assiste ao júri sobre a morte do prefeito de Santo André, as provas do Ministério Público para condenar os réus são ‘irrefutáveis’

Bruna Carvalho, do iG São Paulo |

Bruno Daniel, irmão do prefeito de Santo André, Celso Daniel, morto em 2002, afirmou nesta quinta-feira, ao deixar a primeira parte do julgamento dos três réus acusados do crime, que as provas do Ministério Público para condená-los são “irrefutáveis” e que foi uma “encenação” os depoimentos de José Edson da Silva, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira e Ivan Rodrigues da Silva. “O que eu conheço são as provas colhidas pelo Ministério Público. São provas irrefutáveis. Há provas e ligações telefônicas de um para o outro (em referência aos acusados do crime)”, afirmou.

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Diogo Moreira/Futura Press/AE
Bruno Daniel (ao fundo) assiste a julgamento sobre a morte do irmão, em 2002

Em depoimento, os três réus negaram os crimes e disseram que não conhecem o ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime. Bruno assiste na segunda fileira ao julgamento que acontece no Fórum de Itapecirica da Serra. Os outros dois réus, que seriam julgados hoje, abandonaram o júri porque os advogados alegaram “desigualdade” entre defesa e acusação devido ao tempo dado a cada um para falar. Uma nova data foi marcada para 16 de agosto.

Agência Estado
Celso Daniel foi achado morto em 2002
Bruno Daniel disse que teve um exílio voluntário na França por causa de ameaças que recebia após a morte do irmão. Ficou no país de 2006 a 2011 e afirmou que não recebeu mais ameaças na volta ao Brasil. Ele criticou duramente a forma como é feito o financiamento de campanha no país e disse que, se isso não for mudado, permite queima de arquivo, corrupção e caixa 2.

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“Houve um crime com implicações políticas pelo modo como é feita a política no País. Essa (o financiamento de campanha) é uma institucionalidade que, do meu ponto de vista, tem de ser alterada. Não só as pessoas tem de ser condenadas, mas que o caso sirva como elemento de reflexão para a situação que estamos vivendo”, afirmou Bruno Daniel. 

A promotoria sustenta que a morte de Celso Daniel está ligada a denúncias de corrupção na administração pública de Santo André. O então prefeito teria descoberto que o dinheiro do esquema de corrupção instalado na prefeitura para financiar campanhas eleitorais do PT estava sendo utilizado para arcar com gastos pessoais dos envolvidos.

Então, ainda de acordo com o MP, foi forjado um sequestro para encobrir a real motivação do crime. O corpo de Celso Daniel foi encontrado dois dias após sua captura com marcas de oito tiros em Juquitiba, São Paulo. Carvalho afirma que há uma "clareza solar" de que o prefeito foi torturado.

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Segundo a polícia, Celso Daniel teria sido sequestrado por engano, por uma quadrilha da favela Pantanal, localizada na divisa entre São Paulo e Diadema, liderada por Ivan Rodrigues da Silva, o Monstro – que, na verdade, tinha planejado o rapto de um empresário que não deu certo.

Depoimento dos réus

Ivan Rodrigues da Silva foi o primeiro a falar. O interrogatório durou menos de meia hora. Ele negou participação no crime e disse que não conhece o ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime, nem Dionísio de Aquino Severo, apontado como líder do bando que sequestrou o ex-prefeito de Santo André. “Eu não matei ninguém. Estão falando desse Sombra e eu não sei nem que é esse senhor”, afirmou Rodrigues da Silva.

O segundo a falar foi José Edson da Silva em interrogatório que durou pouco mais de 15 minutos. Assim como o primeiro, negou conhecer os outros acusados e ter participado do crime. Disse que estava na Bahia quando Celso Daniel foi morto e também disse que não faz parte do PCC (Primeiro Comando da Capital). “Não é verdade, não sei por que sou acusado”, disse Edson da Silva.

Na sua vez, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o terceiro e último réu a falar, também negou envolvimento no crime e disse que não conhece nem Dionísio nem Sombra. Oliveira afirmou, assim como os outros três, que a confissão de crime que faz parte dos autos foi obtida sob tortura.

Dez anos após o crime, apenas um dos acusados foi julgado. Marcos Roberto Bispo dos Santos, que dirigia a Santana durante o sequestro, foi condenado a 18 anos de prisão em 2010.

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