Ex-deputado nega tortura de réus do caso Celso Daniel

Luiz Eduardo Greenhalgh chama acusação de ‘estratégia sórdida da defesa’

iG São Paulo |

O ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh negou nesta quinta-feira a acusação de que os réus do caso Celso Daniel sofreram tortura por parte dos policiais e ameaças por parte dele para confessarem o envolvimento na morte do prefeito de Santo André, em 2002. Greenhalg era advogado do PT e acompanhou os interrogatórios na época. Hoje, três réus acusados na morte de Celso Daniel estão sendo julgados no Fórum de Itapecirica da Serra.

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Em seu Twitter, o ex-deputado afirmou que já em 2004 foi rechaçada “essa estratégia sórdida da defesa”. “Em 2004, a defesa dos bandidos já tentara envolver meu nome e acusar a polícia de tortura. Foram desmentidos. Agora, atacam novamente”, afirmou. Greenhalgh diz ainda que isso é uma estratégia “desonesta” da defesa e que os acusados foram ouvidos na frente de diversos promotores de Justiça.

Em sua fala de duas horas e meia, o promotor Márcio Augusto Friggi de Carvalho pediu a condenação dos três réus pela morte do prefeito Celso Daniel. Para Carvalho, José Edson da Silva, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira e Ivan Rodrigues da Silva são responsáveis pelo crime. “A tese de autoria dos réus é irrefutável. Foi a própria investigação que chegou a essa conclusão”, afirmou o promotor.

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Ele reafirmou os argumentos do Ministério Público de que o crime foi político e de que um sequestro foi forjado para encobrir a real motivação. “ (Celso Daniel) foi torturado. Ele sabia demais”, disse o promotor. Ele também ironizou os argumentos dos réus que disseram ter confessado o crime sob tortura.

Depoimento dos réus

Ivan Rodrigues da Silva foi o primeiro a falar. O interrogatório durou menos de meia hora. Ele negou participação no crime e disse que não conhece o ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime, nem Dionísio de Aquino Severo, apontado como líder do bando que sequestrou o ex-prefeito de Santo André. “Eu não matei ninguém. Estão falando desse Sombra e eu não sei nem que é esse senhor”, afirmou Rodrigues da Silva.

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O segundo a falar foi José Edson da Silva em interrogatório que durou pouco mais de 15 minutos. Assim como o primeiro, negou conhecer os outros acusados e ter participado do crime. Disse que estava na Bahia quando Celso Daniel foi morto e também disse que não faz parte do PCC (Primeiro Comando da Capital). “Não é verdade, não sei por que sou acusado”, disse Edson da Silva.

Na sua vez, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o terceiro e último réu a falar, também negou envolvimento no crime e disse que não conhece nem Dionísio nem Sombra. Oliveira afirmou, assim como os outros três, que a confissão de crime que faz parte dos autos foi obtida sob tortura.

Dez anos após o crime, apenas um dos acusados foi julgado. Marcos Roberto Bispo dos Santos, que dirigia a Santana durante o sequestro, foi condenado a 18 anos de prisão em 2010.

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