Delegado da PF compromete Perillo e Delta em depoimento à CPI

Senador do PSOL defendeu a convocação urgente do governador de Goiás e de todos da construtora, inclusive Cavendish

Valor Online |

O depoimento do delegado da Polícia Federal Matheus Rodrigues, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, comprometeria ainda mais o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e a construtora Delta como tendo fortes relações com o grupo do empresário Carlinhos Cachoeira, preso sob acusação de comandar uma quadrilha de jogo ilegal.

De acordo com o depoimento, o nome de Perillo é citado 237 vezes, durante as interceptações telefônicas feitas na Operação Monte Carlo, por pessoas ligadas ao esquema. O delegado disse que em apenas duas ocasiões Perillo aparece conversando diretamente com Cachoeira.

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Agência Brasil
CPI ouve delegado da PF, Matheus Mella Rodrigues, em sessão fechada

Segundo parlamentares que acompanham o depoimento fechado à imprensa, a PF identificou inclusive depósitos da Delta para empresas de Cachoeira. O senador Randolfe Rodrigues, integrante da CPI (PSOL-AP), defendeu a convocação "urgente" de Perillo e de "toda a Delta". "Saio convencido de que a CPI tem que ouvir toda a empresa Delta, inclusive o [Fernando] Cavendish. Há muita relação que precisa ser explicada, e é relação direta com a organização e Cachoeira", disse o senador, que acompanha o depoimento.

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"O Perillo também tem que vir urgentemente", acrescentou, dizendo que as investigações encontraram relações da organização de Cachoeira com os governos de Goiás e do Distrito Federal, embora mais intensamente em Goiás.

O depoimento também mencionou um jantar na casa do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, agora sem partido, GO), com a presença de Carlinhos Cachoeira e de Perillo. Também haveria pelo menos um segundo encontro entre Perillo e Cachoeira, além de duas ligações do governador para o empresário, uma delas para parabenizá-lo por seu aniversário.

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O investigador afirmou que há 81 autoridades com foro especial citadas nas conversas. Entre elas, vereadores, deputados federais e estaduais, senadores, secretários de Estado, ministros do Supremo Tribunal Federal.

A PF também teria identificado encontros semanais entre Demóstenes e Cachoeira, inclusive para jantares e vinho. O depoimento começou às 10h40 e não tem hora para terminar. O delegado também falou sobre a atuação internacional do grupo, com depósitos em empresas laranja no Uruguai e o uso de empresas localizadas em paraísos fiscais, como as Ilhas Virgens. Foram localizadas pelo menos 13 empresas de Cachoeira.

Com Agência Estado

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