‘Celso Daniel foi torturado. Ele sabia demais’, diz promotor do caso ao júri

Márcio Augusto de Carvalho ironizou os argumentos dos réus – que se disseram inocentes – e pediu a condenação dos três

Bruna Carvalho, do iG São Paulo |

O promotor Márcio Augusto Friggi de Carvalho pediu nesta quinta-feira a condenação dos três réus pela morte do prefeito Celso Daniel, em 2002, durante julgamento do caso que acontece no Fórum de Itapecirica da Serra. Para Carvalho, José Edson da Silva, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira e Ivan Rodrigues da Silva são responsáveis pelo crime. “A tese de autoria dos réus é irrefutável. Foi a própria investigação que chegou a essa conclusão”, afirmou o promotor durante as duas horas e meia de fala.

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Diogo Moreira/Futura Press/AE
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"Cada um dos réus contribuiu para a morte de Celso Daniel, ainda que um terceiro tenha apertado o gatilho", disse Carvalho. Ele reafirmou os argumentos do Ministério Público de que o crime foi político e de que um sequestro foi forjado para encobrir a real motivação. “ (Celso Daniel) foi torturado. Ele sabia demais”, disse o promotor.

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Carvalho disse que o prefeito de Santo André pretendia tomar providências sobre os desvios na prefeitura e já havia confidenciado isso à sua família. Afirmou que Celso Daniel sabia que o dinheiro era desviado, “só não concordava com o desvio para gastos pessoais”. “Naquela época, o contexto era a eleição de um presidente da República que ficou oito anos no poder e cuja campanha foi financiada por aquele esquema”, disse o promotor. Em 2002, ano da vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso ia ser coordenador de campanha.

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O promotor também ironizou os argumentos dos réus que disseram ter confessado o crime sob tortura e afirmou que o cruzamento de dados telefônicos contradiz os argumentos dos acusados. Disse ainda que Dionísio de Aquino Severo, apontado como líder do bando que sequestrou o ex-prefeito de Santo André, é quem liga a quadrilha do Pantanal ao ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime.

Depoimento dos réus

Ivan Rodrigues da Silva foi o primeiro a falar. O interrogatório durou menos de meia hora. Ele negou participação no crime e disse que não conhece o ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime, nem Dionísio de Aquino Severo, apontado como líder do bando que sequestrou o ex-prefeito de Santo André. “Eu não matei ninguém. Estão falando desse Sombra e eu não sei nem que é esse senhor”, afirmou Rodrigues da Silva.

O segundo a falar foi José Edson da Silva em interrogatório que durou pouco mais de 15 minutos. Assim como o primeiro, negou conhecer os outros acusados e ter participado do crime. Disse que estava na Bahia quando Celso Daniel foi morto e também disse que não faz parte do PCC (Primeiro Comando da Capital). “Não é verdade, não sei por que sou acusado”, disse Edson da Silva.

Na sua vez, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o terceiro e último réu a falar, também negou envolvimento no crime e disse que não conhece nem Dionísio nem Sombra. Oliveira afirmou, assim como os outros três, que a confissão de crime que faz parte dos autos foi obtida sob tortura.

Dez anos após o crime, apenas um dos acusados foi julgado. Marcos Roberto Bispo dos Santos, que dirigia a Santana durante o sequestro, foi condenado a 18 anos de prisão em 2010.


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