Conselho de Ética nega prazo maior para defesa de Demóstenes

Advogado do senador havia pedido mais dez dias, alegando que relatório de Humberto Costa apresentava fatos novos ao caso

iG São Paulo |

Agência Senado
Conselho de Ética do Senado se reúne nesta terça-feira
O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), negou, na manhã desta terça-feira, o pedido do advogado do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), Antônio Carlos de Almeida Castro, de um prazo maior para refazer a defesa do parlamentar . Ele queria o adiamento da votação da abertura de processo por quebra de decoro contra o parlamentar goiano.

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Antonio Carlos de Almeida Castro, também conhecido como Kakay, havia protocolado pedido de mais dez dias para preparar sua defesa. Segundo ele, o relator Humberto Costa (PT-PE), centrou seu parecer numa hipótese de quebra de decoro não incluída entre as cinco citadas na representação do PSOL.

Em resposta, Humberto Costa disse que a iniciativa da defesa tem como objetivo “postergar ao máximo a apreciação da representação” pelo Conselho de Ética. Ele ressaltou também que não há “qualquer cerceamento do direito de defesa”.

"O senador, diretamente ou por seus procuradores legais, já se manifestou oralmente após leitura do relatório preliminar e terá a oportunidade de se manifestar em todos os atos do processo", disse.

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O Conselho de Ética se reúne nesta terça-feira para decidir se abre ou não o processo contra Demóstenes. A votação é nominal e aberta, diferentemente do que ocorre no plenário do Senado – onde a sessão e a votação são fechadas e permitida apenas a entrada de parlamentares e alguns assessores.

O relatório preliminar de Costa propõe a abertura de processo de cassação contra Demóstenes. Para o relator, há indícios que levam Demóstenes a ter de responder por processo disciplinar, com sinais de quebra de decoro parlamentar e de práticas contrárias à ética.

No relatório, Costa relaciona uma série de ações atribuídas ao senador de Goiás em favor do empresário de jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira . No plenário do Senado, Demóstenes negou manter relações políticas e de negócios com Carlinhos Cachoeira. Segundo ele, ambos eram apenas amigos.

O processo de cassação foi instaurado a partir de uma ação movida pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Nela, o PSOL acusa Demóstenes de quebrar o decoro parlamentar por se envolver com Carlinhos Cachoeira – investigado pela Polícia Federal nas operações Vegas e Monte Carlo, nas quais foram flagrados diálogos de Cachoeira, seus interlocutores e vários políticos, inclusive Demóstenes.

A Operação Vegas, comandada pelo delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques Sousa, identificou um esquema de exploração de caça-níqueis e contratos públicos comandado por Cachoeira, envolvendo governadores e parlamentares de vários partidos políticos.

Com Agência Senado e Agência Brasil

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